Em pleno horário do rush e em uma das avenidas mais movimentadas de Bauru, os motoristas dos ônibus circulares da cidade paralisaram seus veículos. O flash mob (mobilização instantânea previamente combinada por um objetivo), que durou cerca de 10 minutos, é considerado um aviso para a pendência na questão do gerenciamento de planos de saúde, que terá nova audiência hoje.
Quem mobilizou a paralisação foi a Comissão dos Trabalhadores do Transporte Coletivo, categoria dissidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (Sindtran) e que articulou a greve no mês passado.
Os circulares ficaram parados na faixa direita nos dois sentidos da Rodrigues Alves, sem interromper totalmente o fluxo nem tampouco fechar os cruzamentos. Os passageiros foram avisados do protesto. Os ônibus ficaram parados e com faróis ligados da quadra 2 da avenida até a quadra 8.
Mesmo sem interromper o fluxo, por conta do grande movimento no horário, houve congestionamento acima do normal. A Polícia Militar (PM) foi acionada. “Foi algo pacífico e rápido. Como eles não interromperam completamente o fluxo, não precisamos armar qualquer mobilização no trânsito”, disse o capitão Samuel Gomes.
A pendência do gerenciamento dos planos, que abrange inclusões, alterações e exclusões de titulares e dependentes, arrasta-se desde antes da greve deflagrada no mês passado. A Comissão dos Trabalhadores do Transporte Coletivo reclama que os planos de saúde ainda estão “nas mãos” do Sindtran.
Assim, a comissão alega que esse gerenciamento é usado como controle para vincular a filiação dos trabalhadores à entidade. “Eles estão desrespeitando um acordo que foi firmado há mais de 30 dias”, declarou o motorista Valter Dutra Pereira, responsável pela Comissão dos Trabalhadores do Transporte Coletivo.
Reunião
Hoje haverá nova reunião, às 16h, no Ministério Público do Trabalho (MPT), para discutir a questão. “Esta nossa paralisação de hoje (ontem) foi algo rápido e sem causar transtornos. Na verdade, foi apenas um aviso por conta do que vem ocorrendo”.
Dutra complementa que, “dependendo do que for decidido na reunião com o Ministério Público, os motoristas poderão deflagrar uma nova greve. Porém, a população pode ficar tranquila que tudo será avisado antes”.
De acordo com o procurador do Trabalho Luís Henrique Rafael, realmente já foi firmado no mês passado um acordo para que os planos de saúde passem do Sindtran para as empresas. “Na semana passada, os motoristas disseram que o acordo não estava sendo cumprido. As empresas foram oficiadas e disseram que dependem da anuência, inclusive do sindicato. Por isso, convoquei a comissão dos motoristas, o sindicato e as empresas a uma audiência amanhã (hoje) para tentar pôr um ponto final nesse impasse”, conclui o procurador.
O presidente do Sindtran, José Rodrigues da Silva, contesta o acordo. Segundo ele, o plano de saúde deve continuar nas mãos do sindicato. “O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que nós assinamos não abordava os planos de saúde. Então, vale ainda o acordo coletivo que deixa o plano com o sindicato”, argumenta.
Por meio da assessoria de comunicação, a Associação das Empresas do Transporte Coletivo de Bauru (Transurb) afirmou que as empresas são as mais interessadas em resolver logo o impasse, o que espera que ocorra na audiência de hoje.