João Rosan |
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Preço dos combustíveis subiu em 70% dos postos, segundo pesquisa feita pelo JC |
Consumidores de Bauru já podem sentir no bolso o reflexo do aumento de preços do etanol e da gasolina. Vários postos da cidade teriam desistido da “guerra” de preços que se arrastava nos últimos quatro meses entre distribuidoras e os chamados postos de bandeira branca.
A informação é confirmada pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru, que aponta aumento de até 15% no preço final do etanol, que deve variar de R$ 1,59 a R$ 1,79, e de 8% no valor da gasolina, que deve ficar entre R$ 2,59 e R$ 2,79 para o consumidor.
Na tarde de ontem, o JC foi às ruas da cidade e consultou o preço dos dois combustíveis em dez postos, localizados entre o Centro e a zona sul, para saber com que velocidade o aumento está sendo praticado.
Dos dez estabelecimentos consultados, sete já estavam com os preços alterados, inclusive alguns sem bandeira.
Na maioria, os preços do etanol variavam de R$ 1,74 a R$ 1,79. Já a gasolina era comercializada entre R$ 2,59 e R$ 2,79.
“A tendência é que o preço volte para a normalidade em Bauru. Estávamos vivendo uma guerra de preços entre postos e distribuidoras, que resultavam em uma diferença gritante de até R$ 0,40 entre estabelecimentos em um raio de 50 quilômetros, sendo que o valor do frete é de apenas três centavos. Não há motivos para uma distribuidora continuar atuando no prejuízo”, ressalta o presidente do Sincopetro em Bauru, José Antônio Reghine, apontando a expectativa da categoria de que todos os postos na cidade pratiquem os novos preços.
Com aumento, os valores praticados na venda do etanol e da gasolina em Bauru devem se equiparar com a média praticada em todo o Estado.
Uma pesquisa semanal de síntese de preços divulgada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), ontem, mostrou que, na Capital, o preço médio do etanol é de R$ 1,74. Já em Bauru, a tabela mostra o mesmo produto com valor médio de R$ 1,55.
Em cidades como Botucatu, o combustível chega a custar R$ 1,93, e em Jaú, R$ 1,75.
Polêmica
Na edição do dia 1º de julho, o JC divulgou uma reportagem ampla que noticiava a “guerra” regional de valores que resultou na distribuição de panfletos em Pederneiras que criticavam a postura dos postos de Bauru, que ofereciam combustíveis abaixo do valor praticado no mercado.
Na ocasião, o Sincopetro alegou que a situação era resultado de uma disputa entre a Ipiranga e os postos de bandeira branca, que acabou culminando com a redução brusca dos preços em alguns estabelecimentos dessa distribuidora e, como efeito dominó, todas as outras unidades começaram a baixar os valores.
Os valores do álcool nas bombas variavam de R$ 1,49 a R$ 1,59 e da gasolina, de R$ 2,30 a R$ 2,69.
“Tem distribuidoras trabalhando com venda abaixo do preço de custo. Grande parte dos postos ficou no vermelho desde então trabalhando com margens menores que R$ 0,13 por litro para não fechar, mas isso não pagava funcionários e nem mesmo a energia elétrica. Hoje, 70% dos postos de combustíveis de Bauru estão à venda”, reforça o diretor do Sincopetro Edivaldo Tuschi, acrescentando que a margem de lucro dos postos orientada pelo governo é de R$ 0,38.
A Ipiranga, contudo, nega que tenha qualquer influência sobre o preço praticado na cidade e que os valores cobrados pelos postos são definidos, individualmente, pelos proprietários.
Nos últimos dias, segundo Reghine, algumas distribuidoras teriam desistido da briga e aumentado os valores de revenda dos combustíveis, o que fez com que o preço final aumentasse.
Em outros casos, os próprios proprietários das unidades resolveram deixar de fazer frente com postos vizinhos e aumentaram seus preços para não ficarem no prejuízo.
Prejuízo
A reportagem conversou com proprietários de alguns estabelecimentos na cidade ontem, que reclamavam dos prejuízos ocasionados pela disputa ao longo dos últimos quatro meses.
“Em um período de três meses, mandamos seis trabalhadores embora para conseguir pagar as contas. Estávamos sobrevivendo com uma margem de lucro de R$ 0,03 no etanol e R$ 0,04 na gasolina, que não paga nem a água do posto”, comenta Juarez Ferreira, gerente da rede Bauru 10, avaliando os prejuízos na ordem de quase R$ 60 mil.
Há dois dias, o preço do etanol neste posto, localizado na quadra 9 da Duque de Caxias, era de R$ 1,49, e da gasolina, R$ 2,39. Ontem, após o aumento do valor pela distribuidora, os valores foram atualizados para R$ 1,74 e R$ 2,74, respectivamente.
A mesma situação era dividida pelo proprietário de um posto de combustível na avenida Nuno de Assis. “O custo operacional do posto é de R$ 70 mil por mês. Com a margem que estamos, não conseguimos nem R$ 40 mil. Se somados, os prejuízos nesses quatro meses já nos levaram R$ 400 mil”, comenta.
Aproveitando a oferta no combustível em um posto na quadra 6 da avenida Nossa Senhora de Fátima, o estagiário Thiago Hideki, 29 anos, não pensou duas vezes e encheu o tanque de seu veículo. “Sempre procuro abastecer onde o preço é melhor. Preciso viajar para São Paulo e lá está mais caro”, comenta o rapaz.
