O aumento do número de microempresas em Bauru também impulsionou a ação de estelionatários interessados em obter vantagem de empreendedores inexperientes. Trata-se do golpe do boleto, em que as vítimas, após abrir o negócio junto aos órgãos oficiais, recebem indevidamente faturas dos mais diversos valores como se fossem tributos obrigatórios.
A prática, que não é nova, tem sido registrada com grande frequência junto ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Sebrae-SP). Em média, o serviço de 0800 – que centraliza todas as reclamações do Estado - tem atendido mil ligações por mês para esclarecimento desse tipo de cobrança.
A sede do Sebrae em Bauru também confirma que recebe um fluxo grande de pessoas com dúvidas sobre os boletos. A cada dia, cerca de seis novas empresas, incluindo os Microempreendedores Individuais (MEIs), são abertas na cidade.
Apenas nos primeiros sete meses deste ano, foram registrados 1,2 mil novos negócios na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) de Bauru. Levando em consideração que os empresários recém-formalizados são as vítimas preferidas dos estelionatários, os números dão uma dimensão do potencial da fraude.
Segundo Paulo Roberto Martinello, diretor regional da Jucesp e presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), a recomendação é simples: não pagar jamais qualquer fatura sem ter a certeza de sua origem.
“Uma vez que fizer o pagamento, dificilmente o empresário terá o seu dinheiro de volta. São quadrilhas especializadas e muito bem preparadas. Caso haja dúvidas sobre qualquer cobrança, o melhor é procurar um contador”, explica.
No entanto, são minoria as microempresas abertas recentemente que contam com este tipo de profissional. Gratuitamente, o Sebrae-SP mantém um serviço de atendimento pelo 0800-5700800, que funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h.
Prazo curto
Quem preferir pode obter informações pessoalmente na Sala do Empreendedor, que fica no piso térreo do prédio da prefeitura, na praça das Cerejeiras. Outros canais são o e-mail agbauru@sebrae.com.br e o telefone do Sebrae, (14) 3234-1499.
“O 0800 do Sebrae em São Paulo também envia as reclamações de Bauru para nós. Ou seja, o empreendedor não fica sem informação”, completa Milton Debiasi, gerente regional da instituição de Bauru. Conforme explica Martinello, os golpistas conseguem acessar os dados da empresa por meio do Diário Oficial do Estado, já que a publicação é obrigatória assim que o negócio é aberto.
De posse dessas informações, enviam cobranças se fazendo passar por empresas ou entidades sindicais que não existem. “Estes boletos muito bem feitos, idênticos a um documento normal, com todos os dados da empresa. Geralmente, o prazo para pagamento é curto, para que o empresário não tenha tempo de cogitar sobre uma eventual fraude”, analisa.
Debiasi explica que os microempreendedores são os alvos preferenciais dos estelionatários porque, via de regra, possuem poucas noções de gestão de negócios e, por este motivo, podem ser mais facilmente enganados.
“Muitas vezes, são pessoas muito simples, que não possuem informações sobre todas as suas responsabilidades.”