O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recebeu ontem diversos pedidos por mais recursos para a saúde em Bauru ao inaugurar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Geisel. Trabalhadores da saúde em greve e médicos aproveitaram a oportunidade para fazer uma manifestação por melhores condições de trabalho.
Fotos: João Rosan |
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Alexandre Padilha, ministro da Saúde: “Se Bauru precisar de mais recursos, estamos dispostos a ajudar” |
Padilha, que veio de Manaus onde cumpriu agenda ministerial, foi questionado pela imprensa sobre a necessidade de ampliação dos recursos financeiros do governo federal em Bauru. “Se precisar de mais recursos, nós estamos dispostos a ajudar. Só que o recurso tem que estar claro para onde vai e como vai ser gerido”, esquivou-se Padilha.
Em 2000, a União participava com 59,8% dos gastos na saúde pública enquanto que Estados custeavam 18,5% e os municípios, 21,7%. Uma década após, em 2011, a participação do governo federal caiu e Estados e municípios passaram a contribuir mais. A União passou a responder por 47%, Estados 26% e municípios, 27%.
Padilha desconversou ao comentar os números. Afirmou que desde 2003, início do governo do ex-presidente Lula, o governo federal sempre aplicou o que caberia à União aplicar na saúde, cumprindo a legislação. “Muitos governos estaduais que aplicavam muito abaixo do que era responsabilidade passaram a aumentar os recursos ao longo dos últimos anos”, acrescenta.
O ministro criticou o fato de pacientes de Bauru com necessidade de internação em UTI conseguirem vaga distante da cidade. “Os investimentos que forem cooperados sempre terão apoio do governo federal”, pontua.
A UPA do Geisel está dimensionada para atender 350 pacientes por dia, aberta 24 horas, projetando atendimento a 57 bairros a partir de segunda-feira, dia 5. O investimento do Ministério da Saúde na unidade foi de R$ 3,8 milhões em salas de pré-consulta, raio-X, hidratação, inalação, eletrocardiograma e aplicação de medicamentos.
UPA será mantida com plantão
O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, comenta que não há escala regular completa de médicos para atender a UPA Geisel de imediato. Para suprir o déficit de médicos será necessário remanejar profissionais de outras unidades e pagar plantões adicionais. Monti se diz contrário a recorrer ao uso de plantões, contudo admite que não há outra solução. “Vamos continuar usando”, lamenta.
Quanto a remanejar profissionais, Monti argumenta que isso dependerá da demanda. A unidade está dimensionada para prestar atendimento a 350 pacientes ao dia. Para remanejar, o secretário de Saúde define que será preciso enxugar o atendimento em outras unidades. “Temos que esperar a experimentação da realidade”, define.
A equipe sugerida para a UPA Geisel é de 14 médicos, 36 enfermeiros e oito enfermeiros padrão.
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Inaugurada oficialmente ontem, UPA do Geisel começa a atender os pacientes amanhã |
Manifestantes buscam ajuda de Padilha
Um grupo de cerca de 20 funcionários da saúde e médicos promoveu uma manifestação reivindicando colaboração do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para acabar com a greve do setor em Bauru. Os trabalhadores aguardam uma posição da Justiça para o pleito de aumento salarial.
A manifestação contou com as presenças de médicos representando o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e de funcionários da saúde, representados pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde de Bauru.
A greve atinge os hospitais Manoel de Abreu, Base, Estadual, além do Ambulatório Médico de Especialidades (AME). O representante do comando de greve, Fernando Pereira, comentou que a tentativa era de sensibilizar o ministro, já que não houve avanço nas negociações com a direção da Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp), responsável por gerir as unidades hospitalares.