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Município inicia ?raio-x? das favelas

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Os moradores das 19 favelas de Bauru terão, nos próximos meses, visitas em suas residências. O município iniciou nesta semana uma espécie de censo para monitorar quem são e como vivem os moradores desses locais. O objetivo é, por meio deste “raio-x”, conseguir aproximar esta população de programas sociais e também a regularização de áreas e reurbanização por meio de projetos como o Minha Casa Minha Vida (MCMV).


O censo teve início pela maior favela de Bauru: o Ferradura Mirim. “Na verdade, ali já se tornou uma verdadeira cidade pequena. Os últimos dados oficiais nossos apontam 2,2 mil residências. Em termos de família, há muito mais, porque há locais em que vivem duas ou três famílias”, conta a titular da Secretaria do Bem Estar Social (Sebes), Darlene Tendolo.


No primeiro dia, seis assistentes sociais, acompanhadas do coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, e de um funcionário da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan) bateram em 124 portas. Dessas, 45 estavam ausentes. Uma das famílias atendidas pelo censo foi a de Tânia de Fátima da Silva.


“Não temos um prazo para terminar o censo. Porém, esperamos que seja rápido. Por exemplo, no Ferradura Mirim, que é a maior favela, esperamos finalizar em dez dias. Pela proximidade da Sebes, há muitas famílias que já conhecemos. E, inclusive, elas nos recebem muito bem”, complementa Tendolo.


Entre as lacunas a serem preenchidas nessa leitura de domicílios, está a composição da família, a renda mensal, se são beneficiários de programas de transferência de renda, se têm interesse em tais programas, se existem deficientes ou idosos morando ali e a situação do terreno.


“É um verdadeiro estudo social para aproximar as pessoas de programas sociais de verba, entender a questão de áreas não regularizadas e até para o próprio Minha Casa Minha Vida”, explica a titular da Sebes.


Um levantamento semelhante já havia sido realizado há quatro anos. Darlene Tendolo confirma que o novo “raio-x” visa exatamente atualizar os dados colhidos em 2009.


Além de ser a maior favela de Bauru, o Ferradura Mirim foi escolhido como marco zero do censo justamente por solicitação dos moradores do bairro. “Este censo vai ajudar a definir quantas famílias existem aqui e, principalmente, na questão da regularização fundiária”, explica Gisele Moretti, presidente da Associação de Moradores do Ferradura Mirim.


Ela pontua que Bauru está inscrita no programa estadual Cidade Legal, que acelera e desburocratiza a regularização fundiária de núcleos habitacionais. “Este censo que começou a ser realizado será muito importante para nos dar dados próximos à realidade e ajudar neste projeto de regularização”.



Reurbanização


Já anunciado há algum tempo, o Ferradura Mirim passará nos próximos anos por um processo de reurbanização. A ideia é a substituição de todos os barracos por residências. Um dos principais passos, para tanto, é a construção de moradias populares do MCMV. O censo também deve mapear e apontar as áreas a serem utilizadas.


Em abril deste ano, conforme o JC divulgou, aproximadamente 18 famílias moradoras da favela foram removidas e reassentadas em programas sociais pela prefeitura justamente para que a área fosse liberada para esse processo.


A presidente da associação de moradores afirma que o “raio-x” do bairro irá ajudar a esclarecer o que ainda deve ser feito para a reurbanização. “O censo ajudará muito a entender a questão das áreas. Mas queremos deixar claro que nada será feito sem o consenso da comunidade”, frisa Gisele Moretti.

Darlene Tendolo complementa que já dá para prever a regularização de grande parte do território, porém afirma que alguns precisarão ser reassentados por meio da demanda dirigida. “Há áreas públicas e áreas verdes, que impedem a regularização. Iremos avaliar também se há situações de vulnerabilidade e risco. Por isso, a Defesa Civil está acompanhando. Nesses casos, podemos usar a demanda dirigida para reassentamentos”.


Ela ainda destaca que, enquanto algumas pessoas querem se mudar das favelas, outras desejam ficar nesses locais. “Quando a área puder ser regularizada e a pessoa quiser ficar nela, não vamos obrigá-la a se mudar”, promete a secretária do Bem-Estar Social de Bauru.



Por onde passará?

Iniciado no Ferradura Mirim, o censo passará por todas as favelas de Bauru, promete a Sebes. O cronograma prevê que, após o primeiro bairro, os assistentes sociais irão até Pousada da Esperança 1 e 2, Vila Aimorés, Santa Terezinha, Jardim Nicéia, Jardim Iolanda, Ilha de Capri, Vila Santista, Jardim Vitória, Vila Zilo, Jardim Europa, Cutuba, São Manoel, Jardim Marise, Gerson França, Santa Filomena, Jardim Andorfato e Parque Jaraguá.


“Há áreas em que o trabalho do censo deve ser mais complexo em relação à questão da propriedade da terra. No Parque das Nações, por exemplo, não há identificação da área. Na Vila Zilo é outro problema, uma vez que a área é pública”, adianta Darlene Tendolo.

Em 4 anos, três favelas ‘sumiram’

De 2009 para cá, quando foi realizado o último mapeamento das favelas bauruenses, o número de comunidades diminuiu de 22 para 19. A informação é da titular da Sebes, Darlene Tendolo. “Três locais praticamente deixaram de existir. Um deles foi a favela do Jardim Maria Célia, que, após um trabalho de dois anos, conseguimos reassentar os moradores”, aponta a secretária.


O local foi desapropriado pela prefeitura para possibilitar a construção da avenida Nações Norte. Em dezembro do ano passado, o JC acompanhou a alegria de 40 pessoas que moravam na favela e receberam a chave de suas novas casas, no Residencial Buriti, localizado no Parque Roosevelt.


“Além do Jardim Maria Célia, de 2009 para cá, acabou também a parte de favela do Jardim Ivone e do Barreirinho”, finaliza Tendolo.

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