Como qualquer outro símbolo, uma singela estátua terá o sentido abstrato que nós prestarmos a ela. Enquanto as manifestações forem banalizadas com causas estúpidas, tentando atingir uma estátua inerte, esses que se manifestam deixam de se informar sobre os reais e concretos problemas do cotidiano, e, por livre escolha, se apartam dos meios lícitos e institucionais disponíveis para combater tais problemas.
Fazer manifesto só para ser do contra é tão nocivo quanto nunca se manifestar sobre coisa alguma. Qualquer ação humana tem que se pautar por critérios éticos e deve, necessariamente, perseguir um fim ÚTIL. Por isso, espero que esse movimento, em algum momento, ache um oponente ao qual seja digno opor resistência. Nietzsche, o filósofo, disse certa feita que ele só atacava o que estava acima, pois uma luta sempre dá alguma dignidade e altivez àquele contra quem se combate, e não seria justo dignificar com o combate quem não tinha dignidade por natureza.
A estátua em questão, que como qualquer outra não tem a menor relevância para as questões sociais que assolam o povo, só ganhou alguma "importância" porque a falta de critério de alguns fez com que grande energia e atenção fossem dedicadas a ela. É realmente lamentável.
Essas são as causas da geração que se arvorou da tarefa de mudar o Brasil? Se for, creio que não avançaremos muito. Todavia, tenho esperança de que seja apenas uma ilha de sombra em um mar de luz renovadora. Pode ser que essa ilha também venha a se iluminar em algum momento!
Se do ponto de vista pessoal não tenho nada que possa ser classificado como uma apologia à estátua, também é verdade que não acho motivações para opor uma luta contra ela, que foi adotada como um símbolo pela loja que a instalou, não pelo município. Tenho para mim que o surpreendente destaque nacional dado a essa questão nos ridiculariza e desqualifica enquanto cidadãos, pois, a pretexto de participação política, apresenta ao Brasil esse tipo de manifesto vazio originado em Bauru, cujos habitantes, em geral, tem aspirações bem mais nobres.
O autor, Luciano Olavo da Silva, é analista judiciário e especialista em Direito Eleitoral