Tribuna do Leitor

Estátua da discórdia


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Caro leitor, recentemente, discussões acerca da Estátua da Liberdade de uma empresa privada tem causado intrigas entre os munícipes bauruenses. As discussões levantadas tornaram-se matéria do portal UOL e, portanto, ganharam projeções nacionais. Entre favoráveis, não favoráveis e indiferentes, todos estão envolvidos com a presença da estátua em uma das entradas da cidade sem limites.

Obviamente, os favoráveis, não favoráveis e indiferentes à estátua possuem meu respeito. Contudo, acompanhamos nos últimos meses uma série de manifestações, não somente em Bauru, mas no Brasil todo, buscando melhorias na qualidade de vida da população. Ou seja, existem diversas prioridades para reivindicarmos em detrimento da presença da tal estátua, por exemplo: saúde (mortes no PS), educação (péssima qualidade), transporte público (quebra do monopólio), segurança, moradia, etc. Discutir sobre a estátua é projetar o nome da empresa (merchandising) para todo o Brasil é fazer uso de "mão de obra barata". Qual o motivo? Tenho certeza que ninguém aqui está recebendo para fazer publicidade da empresa, mas todos estão falando o nome dela, certo?

Adiante, o cidadão Henrique Perazzi de Aquino propôs um monumento que homenageasse a cafetina Eny Cezarino. Ora, respeitando a história da Eny, bem como a importância do seu bordel para a cidade bauruense nos anos 60 e 70, mas não seria o astronauta Marcos Pontes (primeiro astronauta brasileiro) melhor motivo para homenagear? A estadia do rei do futebol (Pelé) na cidade de Bauru não seria outro bom motivo para homenagear? O reconhecimento internacional do Centrinho no tratamento de anomalias craniofaciais congênitas não representaria outro bom motivo para homenagear?

Finalmente, nos comentários da matéria do portal UOL, mais uma vez somos o "povo caipira" (motivo de gozação). Comentários como: "Se há alguém que deveria se envergonhar com essa situação seriam os EUA". Existem ainda aqueles que dizem: "Retirar a estátua é lutar contra o imperialismo norte-americano". Ora, se pensam assim, por favor, deletem suas respectivas contas do facebook (para não dizer descartem smartphones, iphones, ipads, TV?s, tênis, etc). Caro leitor, vivemos em mundo onde o problema dos outros incomoda mais do que os nossos próprios problemas, em outras palavras, preferimos julgar o defeito dos outros e não os nossos próprios defeitos. Século XXI: o século da inversão de valores.

Rafael Aguiar - aluno de Relações Internacionais

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