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Ultimato

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Pressionados pelo Ministério Público Estadual (MPE), governo do Estado, município e Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) terão de encontrar, ainda hoje, uma solução emergencial para a falta de vagas de internação hospitalar. O órgão deu ultimato para que as autoridades de saúde apresentem, às 14h30 de hoje, propostas concretas para contornar a grave crise do sistema, intensificada nas últimas semanas pela greve dos funcionários dos hospitais geridos pela Famesp.

João Rosan

Reunião realizada nesta quarta-feira (7) no prédio do MPE discutiu solução emergencial para a falta de leitos

Em reunião realizada ontem no prédio do MPE, o promotor de Defesa da Cidadania e Saúde Pública de Bauru, Fernando Masseli Helene, adiantou que, caso uma saída não seja encontrada, irá ingressar com ação civil pública para pedir o imediato esvaziamento do Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru. “Nosso pedido será no sentido de fazer com que os hospitais de Base e Estadual não se recusem a receber ao menos os pacientes mais graves que aguardam vaga. Ou então para que sejam encaminhados para outros hospitais da região”, frisa.

Helene, no entanto, decidiu dar prazo até hoje porque sabe que o processo, na Justiça, demandaria muito tempo – algo impensável para muitos pacientes que correm risco de morte. Ontem, em uma cena que se tornou cotidiana, o PSC estava com os corredores totalmente ocupados por pessoas enfermas deitadas em macas improvisadas. Até o final da tarde, cerca de 40 pessoas aguardavam na fila de espera por um leito de internação hospitalar.

Nas últimas semanas, a demora se tornou ainda mais intensa por conta da greve dos servidores da Famesp – entidade que gere os hospitais de Base (HB), Estadual (HE), Manoel de Abreu, Maternidade Santa Isabel e Ambulatório Médico de Especialidades (AME). Segundo o JC apurou, cerca de 60 leitos clínicos do HE e 20 leitos do HB estão desocupados por falta de funcionários.

Força-tarefa

Já os leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) estariam operando em sua capacidade máxima. Mesmo assim, o número é insuficiente para dar conta de toda a demanda, um problema que se arrasta há anos na cidade. Ontem, das 12 vagas liberadas nos dois hospitais até o final da tarde, apenas três eram de UTI.

Na reunião de ontem, Estado, município e Famesp se comprometeram a realizar uma força-tarefa para encontrar soluções para desafogar o PSC e, principalmente, evitar que mais pessoas morram à espera de internação. Uma medida já adotada pelo Departamento Regional de Saúde 6 (DRS-6) foi solicitar às cidades da região para que não enviem pacientes para Bauru.

“Pedimos para que eles solucionem, na medida do possível, os casos nas unidades dos próprios municípios, ou em hospitais de referência localizados, por exemplo, em Promissão, Lins e Jaú”, explica a diretora do DRS-6, Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira. De acordo com ela, as unidades de saúde da região também foram acionadas para receber um número maior de pacientes do PSC, mas o pedido teria sido negado.

Outra possibilidade seria encaminhar, automaticamente, todos os casos de pacientes oncológicos para o Hospital Amaral Carvalho, em Bauru. Já o município estuda a possibilidade de decretar estado de calamidade pública e solicitar recursos ao governo do Estado para alugar leitos nos hospitais da rede privada de saúde. Outra sugestão foi aprimorar o sistema de triagem de pacientes antes da solicitação de vagas aos hospitais e, dentro do possível, dar alta aos que estiverem em melhores condições de saúde para que realizem o tratamento em casa.


Núcleo de Saúde no MP

Desde junho deste ano, o Ministério Público Estadual (MPE) conta com o Núcleo de Saúde Pública Regional, liderado pelo promotor Henrique Ribeiro Varonez. O objetivo do órgão é intermediar, junto ao poder público, soluções para melhorar a qualidade da saúde na cidade e municípios vizinhos. A reunião realizada ontem foi a primeira que contou com a participação do núcleo, que atuará no novo encontro marcado para hoje no MPE, às 14h30.

 

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