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Audiência para discutir reforma do PSC vira ?lavagem de roupa suja?

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

O que menos se discutiu foi a reforma do Pronto-Socorro Central (PSC) na audiência pública realizada ontem na Câmara Municipal para tratar do assunto. Roubou todas as atenções o xeque-mate dado pelo secretário de Saúde, Fernando Monti, ao presidente do Legislativo, Sandro Bussola (PT).

Monti questionou se foi dirigida para si a afirmação do petista de que a saúde do município precisava de um gestor que acordasse às 6h da manhã todos os dias. Na última sessão legislativa, Bussola deu a declaração na tribuna, tendo dito ainda que “coisas medonhas” aconteciam na pasta da Saúde.

O secretário quis saber ainda se o vereador desejava controlar sua jornada de trabalho ou dava a entender que não trabalhava ou não se empenhava pela melhoria da Saúde na cidade. “Não tenho rabo preso com ninguém. Se tem coisa medonha, autorizo que fale publicamente. Não tenho qualquer tipo de compromisso senão pelo SUS (Sistema Único de Saúde)”.

Acuado, Sandro negou e focou suas críticas ao diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) do município, Luiz Antonio Sabbag. O petista atribuiu o entendimento de Monti a informações equivocadas supostamente levadas a ele por “assessores sem competência”. “Como me conhece há muito tempo, deveria saber disso”, frisou.

Apesar da postura defensiva de Bussola, ele e outros vereadores têm criticado intensamente o distanciamento de Fernando Monti dos problemas enfrentados rotineiramente no PSC.

Sabbag

Em relação às críticas dirigidas ao diretor do DUE, o presidente da Câmara citou que o Pronto-Socorro precisa de um diretor que “viva, de fato, a unidade”, cumprindo a jornada de trabalho de oito horas diárias, sem dividir a dedicação com consultório particular e hospital privado.

Bussola tentou ainda elencar problemas no dia a dia do PS, como a falta de antibiótico e o suposto – e estranho – caso de uma paciente de 33 anos, vítima de edema pulmonar que teria sido entubada e sido mantida de pé por conta da falta de macas na unidade.

O petista afirmou ainda que há problemas de “vaga zero” em Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) causados pela falta de médico e apontou que médicos plantonistas não recebiam o benefício por produtividade, como com os não-plantonistas.

Bussola ainda deu a entender que, em meio à crise pela qual passa a saúde em Bauru, o diretor de Urgência e Emergência não teria trabalhado na tarde da última terça-feira.

Defesa

Acompanhando a audiência pública, Sabbag evitou rebater as críticas ao microfone. Ao Jornal da Cidade, explicou que as informações proferidas por Sandro Bussola eram distorcidas. “Impossível entubar uma paciente e deixá-la em pé. Realmente não havia espaço no local adequado, mas ela ficou na sala de emergência, deitada”.

Em relação ao pagamento da produtividade, ele explicou que a Secretaria Municipal de Saúde apenas cumpre o que está escrito na lei aprovada pela Câmara Municipal na última legislatura.

Sabbag disse ainda que seria muito cômodo bater o ponto de trabalho e cumprir sua jornada, mas alegou estar disponível 24 horas ao dia. “Ontem [terça-feira], saí às 22h do Bela Vista”.

Fernando Monti defendeu o diretor, garantindo que acompanha sua atuação e dedicação em tempo integral. O vereador Fabiano Mariano (PDT) também rebateu as acusações de Bussola, ao expor que sempre foi atendido e obteve as informações solicitadas junto a Sabbag.

Nova comissão

Após a audiência pública, o presidente Sandro Bussola criou uma comissão que, dentro de 10 dias, deve apontar sugestões de alterações no projeto de reforma do Pronto-Socorro Central (PSC). A ampliação dos leitos – que não está prevista – deve ser o principal ponto.

O grupo será formado por Markinho da Diversidade (PMDB), Fabiano Mariano (PDT), além da bancada médica: Raul Gonçalves Paula (PV), Telma Gobbi (PMDB) e Paulo Eduardo de Souza (PSB). Os dois últimos não participaram da reunião de ontem.

Raul apontou diversas questões técnicas consideradas relevantes para o aprimoramento do projeto de reforma. Markinho, por sua vez, foi quem traduziu o anseio dos vereadores. “Não queremos mais os pacientes esperando vagas hospitalares, por semanas, nos corredores do Pronto-Socorro”.

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