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O tempo é o senhor da razão

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Esta frase de autor desconhecido ficou conhecida através da propagação do pensador francês Marcel Proust e tem norteado a condução da vida de muitas pessoas, inclusive a minha. Por vezes nos deparamos com uma avalanche de problemas, dúvidas, angústias, que não conseguimos enxergar a luz no fim do túnel. A coisa fica mais forte quando somos acusados de atos que não praticamos e, de inocente, viramos réus, julgados e condenados por aqueles que nos cercam. Com o passar do tempo muitas pessoas amadurecem e passam a utilizar a capacidade em tolerar como arma para contornar tais situações.

Não raramente pinçam a frase "o tempo é o senhor da razão" ou o "tempo se encarrega de mostrar quem está certo". Neste momento a pessoa sabe que a pressão continuará existindo, mas por saber que está sendo injustiçado, o tempo se encarregará de demonstrar quem efetivamente fala a verdade. Estas questões ocorrem em todos ambientes. Às vezes no contexto familiar, na maioria das vezes no ambiente de trabalho e isso ocorre com muita frequência também no mundo dos negócios.

No contexto econômico isso não é diferente. A política econômica que traz resultados práticos é percebida ao longo dos anos. O contrário também é verdadeiro. Indicadores que são positivos em determinada fase do governo, tornam-se ruins em outra fase à medida que a política adotada não se sustentava ao longo do tempo. Vejam a popularidade da presidente Dilma Rousseff: do céu para o purgatório. É certo que medir a temperatura em plena efervescência do comportamento crítico da sociedade potencializa o resultado, mas é a demonstração que o tempo, neste caso, caminhou no sentido contrário para até então imbatível presidente da República. No ambiente empresarial também isso acontece. Vejam o caso do empresário Eike Baptista, símbolo máximo da nova geração de empresários, hoje, de referência, virou alvo de gozações.

Ainda neste contexto, quando os interesses pessoais falam mais alto do à própria razão, muitos são capazes de deixar a ética de lado, utilizando de todos os meios e artifícios para atingir as pessoas. Neste particular não adianta adotar medidas heróicas. É preciso equilíbrio para deixar que as coisas aconteçam e com novos fatos, efetivamente separar o joio do trigo. Quem efetivamente tem conteúdo, retidão, ética e bons propósitos, será reconhecido ao longo do tempo como alguém injustiçado. Infelizmente não é tônica no ambiente político, e mesmo existindo políticos éticos e honestos, o tempo tem caminhado no sentido contrário.

No ambiente econômico, resta pouco tempo para que a equipe econômica do atual governo reverta o que o tempo se encarregou de deteriorar. Já para aqueles da sociedade que se sentem injustiçados, permitam que o tempo se encarregue de ajustar as coisas.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, diretor regional do Corecon e articulista do JC

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