O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), não quis comentar ontem as suspeitas de “cartas marcadas” em licitações para recuperação, reforma e modernização de trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) em 2004, durante seu segundo mandato.
Matéria publicada ontem pela Folha de S.Paulo revela troca de e-mails entre executivos da Siemens indicando que a empresa sabia, com antecedência de pelo menos nove meses, quais seriam os ganhadores de quatro licitações realizadas pelo governo paulista em 2004.
Em Campinas (a 93 km de São Paulo), o governador Geraldo Alckmin se recusou a responder se a licitação havia sido previamente combinada.
Ele esteve em um hotel da cidade para discursar no início de um evento do Lide (grupo de líderes empresariais), em que empresários e políticos saíram em sua defesa. O governador deixou o local sem falar com a imprensa.
Já em Cordeirópolis (a 158 km da capital), questionado novamente sobre a licitação da CPTM em 2004, Alckmin limitou-se a dizer que montou um grupo de entidades civis para apurar as denúncias de cartel, e não respondeu a nenhuma outra pergunta.
“Se ficar constatado algum cartel, o governo do Estado vai mover uma ação contra as empresas envolvidas. Todas elas serão processadas”, disse o governador Geraldo Alckmin. “Se ficar provado que algum agente público - seja quem for - teve envolvimento, ele será rigorosamente responsabilizado.”