Terminada a epopeia internacional que rendeu R$5 milhões aos cofres do clube, mas desgastou fisicamente um elenco diminuto, o São Paulo agora volta a pensar na dura realidade do Campeonato Brasileiro. A equipe faz contra a Portuguesa, neste domingo, a partir das 18h30, no Canindé, a partida que pode ser o divisor de águas na pior crise de sua história.
Vencer a penúltima colocada do campeonato e, por ora, competidora direta pela sobrevivência na elite pode dar a injeção de ânimo para tirar o São Paulo da zona de rebaixamento e enterrar definitivamente a incrível série de derrotas sofridas nos últimos jogos - apenas uma vitória em 16 confrontos, diante do Benfica, pela Copa Eusébio, em Lisboa.
Mas um novo revés recolocará o São Paulo no olho do furacão e trará de volta a crise para o Morumbi após um curto período de otimismo. O elenco sabe que um resultado negativo não será tolerado pela torcida, que tem subido o tom das críticas nas arquibancadas à medida que o time acumula fracassos. “Nosso foco está no Brasileiro, porque o objetivo de todo o grupo é reagir imediatamente”, disse o meia Jadson, ciente da impaciência da torcida com a série ruim.
A situação no campeonato é complicada, mas está melhor do que os jogadores imaginavam que estariam quando voltassem ao Brasil. O goleiro Rogério Ceni, por exemplo, dizia que imaginava voltar com o São Paulo na lanterna e a quatro ou cinco pontos de sair da degola, mas os tropeços dos rivais tornaram a missão um pouco menos árdua. O time tem um jogo a menos que o Criciúma, primeiro integrante do pelotão do desespero e que enfrenta a Ponte Preta no mesmo horário.
O elenco são-paulino acredita que o período fora do Brasil fortaleceu a união do grupo, o que fará o time atuar com uma entrega maior. “Eles (europeus) são muito disciplinados na parte tática e há um sincronismo entre ataque e defesa. É algo que deu para perceber e que tentaremos repetir aqui à nossa maneira”, disse Jadson.
Taticamente, o time não deve ter grandes alterações. E será parecido com o que o torcedor viu nos últimos jogos. Com pouco tempo para treinar durante a viagem, o técnico Paulo Autuori pode manter o esquema com três volantes para dar a Jadson liberdade total de ação. Mas não está descartada a entrada de Ganso, após o ótimo segundo tempo que ele teve contra o Kashima Antlers no Japão. A baixa será o zagueiro Edson Silva, que sentiu dores musculares e foi vetado. Assim, Rafael Toloi deverá ter como companheiro Lucas Silva, jovem zagueiro que estreou contra o Bayern de Munique, atuou contra o Milan e foi titular no Japão.
Desgaste
O grande temor é que o desgaste físico provocado pelo excesso de jogos em curto espaço de tempo e pelas longas viagens. Foram mais de 78 horas de voo e quatro jogos em três países num espaço de apenas oito dias, uma maratona definida por Autuori como “terrível”.
Precavido, o treinador mandou Rafael Toloi, Fabrício, Jadson e Osvaldo de volta ao Brasil antes do fim da viagem - não foram ao Japão -, para que eles estivessem em boas condições físicas. O quarteto se uniu a Luis Fabiano e Clemente Rodríguez, que estão livres de lesões e podem jogar. Todos fizeram um trabalho especial no período.
“No começo sentimos um pouco de cansaço, mas é normal pelo fato da intensidade dos trabalhos. Mas agora já sinto que estou bem fisicamente. Esse período vai fazer a diferença no jogo”, afirmou Rafael Toloi. O restante do time será escalado de acordo com a condição física de cada um.
‘Decisão’ para Portuguesa
A Portuguesa encara o jogo deste domingo como uma decisão. Afinal, o São Paulo, pelo menos pelo atual momento, é visto como um concorrente direto na luta contra o rebaixamento do Brasileirão. Mesmo porque, os dois times entram em campo com os mesmos nove pontos.
A Lusa ainda busca a sua primeira vitória desde a paralisação para a Copa das Confederações. Desde a vitória sobre o Fluminense por 2 a 1, em 12 de junho, foram três empates e quatro derrotas. Sequência que manteve o time na zona de rebaixamento do campeonato, com nove pontos
Para a partida deste domingo, Guto Ferreira terá dois importantes desfalques. O volante Ferdinando foi expulso em Brasília e terá de cumprir suspensão. Enquanto isso, o meia argentino Cañete não joga por conta de uma cláusula contratual, já que está emprestado pelo São Paulo. Diogo deve entrar em seu lugar. A principal novidade será a estreia do volante Willian Arão, contratado nesta semana junto ao Corinthians.