Geral

Entrevista da Semana: Lourenço Benetti

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 8 min

Quioshi Goto

Lourenço Benetti bem à vontade com motos

O bauruense Lourenço Oliveira Benetti é conhecido por ser um excepcional vendedor de veículos. Comprou com ele, virou freguês cativo. Ele tem paixão por venda, por motos,  picapes e natureza. Por isso, fez de suas paixões uma profissão. Lourenço atua em vendas de veículos há mais de 20 anos.

De quebra tem como robby andar de moto nos finais de semana, cercado de amigos e próximo da natureza. Ele confessa que a esposa Juliana Azevedo Pexe Benetti não aprecia muito motos. Seus pais, a bauruense Janete Carmem de Almeida Oliveira, 74 anos, e o já falecido Geraldo Benetti, nascido em Piraju, foram testemunhas de sua primeira queda com uma moto. Acabou que o pai acorrentou a moto para evitar que o filho se machucasse. Lourenço venceu a resistência dos pais.

No meio da entrevista ao JC, o celular de Lourenço toca. É um cliente interessado em um veículo.  Nesse momento, Lourenço de transfigura. Mesmo pelo telefone dá toda a atenção ao possível comprador. Demonstra sinceridade naquilo que está sugerindo ao cliente. Talvez naquele momento tenha perdido uma venda, contudo manteve a fidelidade do cliente.

Ele migrou do negócio de venda de motos para picapes, se adaptou à modificação do comércio e mantém fiéis compradores mesmo aqueles que já não andam mais de moto. Na sequência, os principais trechos da entrevista concedida pelo motoqueiro Lourenço.

 

Jornal da Cidade - Como surgiu sua paixão por motocicletas?

Lourenço Oliveira Benetti - Na verdade tive uma loja de moto que fundei com meus 21 anos. Com 16 anos comprei minha primeira moto com meu dinheiro. Tive ela (loja) 16 anos. Trabalhava em uma lanchonete. Desde pequeno sempre fui apaixonado. Tanto que foi o trabalho (vender motocicletas) que eu escolhi.

 

JC - Por que agora vende picapes?

Lourenço - Picape é uma paixão antiga. O comércio de moto foi ficando restrito e devagar. Não deixei motos. Tenho algumas motos para vender na minha loja. Tenho clientes para motos 125 cilindradas e também para motos grandes (maior cilindrada).

 

JC - Qual é seu segredo para cativar compradores, afinal há tantas revendas?

Lourenço - Primeiro tento ver as necessidades dos clientes. Pergunto qual é a necessidade dele pra ver o que ele quer. Vou satisfazer a necessidade dele. E daí consigo fidelizar e ele volta para trocar e traz um parente, um amigo para comprar. Hoje meu forte é picape. Às vezes, o cliente me procura por causa da fidelidade antiga que se criou.

 

JC - Já embalou moto com laço gigante de presente para entregar em um aniversário?

Lourenço - Entregamos na festa de aniversário. Um pai comprou para uma filha que completava 18 anos uma Biz (Honda). Fiquei contente por ter proporcionado uma alegria para uma pessoa que fazia 18 anos. A menina chorou e foi uma emoção muito grande até para a gente. A menina não esperava jamais. Semana passada fui a São José do Rio Preto. Perguntei sobre uma rua para o frentista. Um outro chegou e disse para me informar certinho. Ele tinha comprado uma moto comigo há 7 anos,  quando estudava em Bauru. Me surpreendi. Não lembrava dele.

Ajudei Papai Noel. O JC faz a casinha do Papai Noel na Praça Portugal. Eu vendia quadriciclo. Naquele ano teve um problema com um carrinho. Me ligaram na semana do evento. Arrumei um quadriciclo que puxou o trenó do Papai Noel todos os dias e deu tudo certo.

 

JC - Você tem cliente muito antigo?

Lourenço -  Nesses dias vendi uma caminhonete para um cliente que há 15 anos comprou uma moto. Tem cliente que indica para a família. Deixou de andar de moto, mas o filho, o sobrinho querem comprar. Tem pais que me ligam para uma orientação na compra da moto para o filho. Tem também clientes antigos. Lá atrás, o sujeito comprou para trabalhar. Agrega a família e compra um carro. Como está mais velho, compra uma moto só para andar de final de semana.

 

JC - Você começou sua vida profissional em que área?

Lourenço - Com 11 para 12 anos comecei a trabalhar no Cips (Consórcio Intermunicipal de Promoção Social de Bauru). Na rua a gente era chamado de reco-reco. Entrei limpando rua. Fiquei lá por três anos e saí como office boy. Era divertido mas era muito rígido.

 

JC - Como era o comércio na época quando abriu a revenda de motos?

Lourenço - Eram poucas lojas. Nossa loja sempre foi muito arrumada. Por serem poucas lojas, fizemos rapidamente amizades. Isso nos ajudou bastante. Tinha ligação direta com a financeira. Eu era sócio-proprietário. Meu sócio era um amigão meu. Uma sociedade que durou 17 anos e era muito bonita. Fizemos muitas amizades. Sou apaixonado por vendas por isso.

 

JC - Hoje é mais difícil fazer amizade no comércio com os clientes?

Lourenço - Atualmente, é difícil porque existe muita opção para o cliente. Se você trabalhasse próximo ao cliente tinha mais chance de fidelizar. Hoje tem muita informação.

 

JC - O que mudou na clientela?

Lourenço - Antigamente, o cliente era mais... Não vou dizer fiel. Hoje existe mais oferta. Tinha um cliente que era fiel e tinha pouca escolha. Hoje, a oferta de lojas e de carros cresceu muito.

 

JC - A maneira de vendar mudou?

Lourenço - Antes era troca e pagamento à vista. Ou a pessoa dava algum bem na troca e pagava a diferença. Hoje o financiamento é quase 100%.

 

JC - O que fez para se manter nesse cenário tão dinâmico?

Lourenço - Fiz marketing. Sou apaixonado em venda e contato com o público. Me ajudou a fidelizar clientes, na proximidade e ver a necessidade que o cliente tem para oferecer o produto certo.

 

JC - Você tem histórias curiosas como vendedor?

Lourenço - Certa vez fui entregar uma moto em um sítio em Reginópolis. E tem muita plantação de pimentão por lá. Fui com uma caminhonete utilitária. O cliente ficou tão contente que encheu a caçamba de pimentão. E a alegria é que um cliente antigo indica para o outro. Daí entra na loja e diz que comprou lá atrás uma moto e, agora, quer uma picape. É uma realização muito grande. 

 

JC - Se não fosse vendedor qual seria sua profissão?

Lourenço - Não imagino. Minha vida inteira sempre foi vendas.

 

JC - O que é preciso para ter sucesso?

Lourenço - Está dentro de cada vendedor. Porque ser vendedor não é ter o produto e você vender para o cliente. Tem que conhecer o produto que está vendendo. E assim o cliente sente a segurança. Tem gente que vai na minha loja e diz que na loja tal o valor da picape é tanto. Daí digo para ir perguntar quantos quilos ela carrega. E o vendedor da outra loja não sabe. Tem que conhecer o produto que está trabalhando.

 

JC - Como foi o seu primeiro tombo de moto?

Lourenço - Eu tinha 16 anos quando tomei meu primeiro tombo. Nunca esqueço. Fui mostrar para meu pai que sabia andar de moto e ele e minha mãe saíram na frente da casa. Caí bem na frente deles. Meu pai colocou corrente e cadeado e disse que só quando tirasse a carta eu voltaria a pegar a moto. O castigo durou um mês. Depois eu ficava pedindo e ele não aguentou segurar.

 

JC - Como é seu dia a dia sobre uma moto?

Lourenço - Minha filha e meu filho são apaixonados por moto desde pequenos. Desde pequeno sempre andaram de moto comigo. Medo a gente tem. Mas por mais que a gente tenha consciência porque o  trânsito é perigoso... Mas não tenho paciência para andar em Bauru de carro. Eu cruzo com meu filho a Duque todos os dias para escola. Isso desde os dois anos. Hoje ele está com 13 anos.

 

JC - Qual a sensação propiciada pela moto?

Lourenço - Liberdade. Conquista. Liberdade em contato com o sol. A sensação de liberdade sem o capacete é indescritível. Pode perguntar para os motoqueiros antigos. Hoje a velocidade é maior e eu concordo com a obrigatoriedade de usar capacete porque o risco é maior em moto.

 

JC - Que moto você tem atualmente?

Lourenço - Uma RR 1000 que chega a 250 km/h. Já tive muitas motos maiores. E carros e picape, só os da loja. E minha paixão além da moto sempre foi caminhonete.

 

JC - De final de semana você curte moto?

Lourenço - Para andar de final de semana. Tem cliente que vendo moto e chamo para andar de sábado à tarde. Vamos até Barra Bonita, Botucatu, Avaré, Brotas e Jaú. Em torno de 10 amigos. Tem gente da antiga e têm jovens. O grupo é bem variado. Não tem mulheres. Nunca tinha pensado nisso. 

 

JC - Como organizam os passeios?

Lourenço - Antigamente era encontro de motos. Ficava dois a três dias. Era aquela agitação toda. Hoje a gente vai andar nas cidades. A gente escolhe nosso roteiro.

 

JC - A natureza é outro prazer nas viagens?

Lourenço - Gosto de ir para sítio nos finais de semana. E o contato com verde e animais. Cavalo, boi carneiro. Ajudo a tratar. São propriedades de parentes. Gosto de rio e fazer caminhada na mata. Todo tipo de contato com o verde.

 

JC - E sua relação com a família?

Lourenço - É a base de tudo, sem qualquer dúvida. Sou apaixonado por eles eternamente. Primeiro lugar é a família. Quem tem uma família unida pode se considerar muito feliz. Amigos e família são as coisas mais importantes na minha vida.

 

Perfil

Nome: Lourenço Oliveira Benetti

Idade: 39 anos

Cidade: Bauru

Esposa: Juliana Azevedo Pexe Benetti

Filhos: João Victor Benetti e Maria Clara Pexe Benetti

Hobby: andar de motocicleta e contato com a natureza

Livro de cabeceira: Evangelho Segundo o Espiritismo

Filme preferido: Nosso Lar

Estilo Musical: Música de raiz e rock anos 80

Time: São Paulo F.C.

Para quem dá nota 10: para quem pratica caridade ao próximo

Para quem dá nota 0: para a desigualdade

E-mail: lo.legal@hotmail.com

 

Comentários

Comentários