Aceituno Jr. |
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A um mês de se tornar pai pela primeira vez, Rafael Ramos da Silva olha barriga da esposa, Marília Gabriela Porem, enquanto conta os dias para conhecer a filhinha Helena |
Enquanto pais se confraternizam com filhos hoje, Dia dos Pais, “quase pais” vivenciam emoções diferentes - e intensas.
Prestes a conhecerem as pequenas vidas que crescem no útero das esposas, homens passam seu último Dias dos Pais sem filhos divididos entre a expectativa pelo grande momento do nascimento dos bebês e a noção de que, agora, é chegam novas responsabilidades.
Enquanto isso, desdobram-se em atenção à mãe e à criança que vive nela. Cientes de que este é o último Dia dos Pais como filhos, no melhor estilo da música “Dias de Luta”, da banda Ira!, podem tomar para si os versos “se meu filho não nasceu, eu ainda sou um filho”. Pelo menos por enquanto, apenas filhos.
‘Para ver a carinha’
Rafael Ramos da Silva vai passar o Dia dos Pais na contagem regressiva. A um mês de “ganhar” o primeiro filho, na verdade uma filha, que se chamará Helena, ele mal consegue conciliar o sono. “Falta exatamente um mês. Eu já trabalho à noite e, agora, mal durmo, estou contando as horas para chegar. A ansiedade está a mil”, admite.
O futuro pai vive um misto de sentimentos positivos - como euforia e alegria. A esposa de Silva, Marília Gabriela Porem, confirma a grande expectativa do “quase pai”.
“Ele está muito ansioso e fala todo dia que não vê a hora de nascer para ele ver a carinha”, relata.
Porem revela que o marido só “ganhou qualidades” após saber da gravidez. “Era o sonho dele ser pai e mudou completamente o comportamento, na atenção, no cuidado. Ele sempre foi bem atencioso, mas com a gestação acabou dobrando”, elogia.
A atenção se traduz em gestos diários. “Na verdade, homem é meio ogro”, brinca. “Mas, agora, ele ajuda bastante e tudo o que eu preciso está disponível. Começou a ajudar mais nas tarefas de casa por causa das necessidades, já que a gestação acaba impedindo de fazer algumas coisas. Apesar de eu ter habilitação, ele me leva para cima e para baixo a todos os lugares porque percebe que eu fico um pouco receosa”, ilustra.
Silva concorda com a esposa e admite as mudanças. “A gente fica mais maduro. Eu gosto muito de carro e, hoje em dia, não gasto com carro mais. Gosto de carro rebaixado e não rebaixei o meu. Muda a cabeça do cara”.
Calma nessa hora
Maicon Rogério Suite compartilha com Silva a sensação de ansiedade, acompanhada de uma noção de responsabilidade e maturidade às vésperas de se tornar pai.
Sua esposa, Juliana Cristina Monteiro Suite, está grávida de seis meses e o futuro pai vem tentando conter a “pressa” para conhecer a filha Isabelly Vitória que vem por aí.
Garante que, por enquanto, ainda não entrou em euforia.
“Estou no meio termo, um pouco ansioso, mas venho administrando com calma”, garante. Enquanto se controla, a atitude em relação à esposa tornou-se mais gentil e carinhosa.
“Procuro ser mais atencioso, redobro o cuidado na hora de dirigir o carro. A gente pensa tudo em primeiro na criança”.
A esposa de Suite detecta as mudanças. “Ficou mais responsável e atencioso mesmo. Ele sempre foi supercarinhoso e agora está mais ainda”, enaltece. “Ele também passou a pensar mais no futuro”,
O “quase pai” justifica. “Você fica mais preocupado, com mais deveres. Até no emprego já muda a atitude. Altera mesmo o comportamento”, observa.
Treinamento e ciclo
Na expectativa de ser pai pela primeira vez, vale um pouco de tudo para já ir vivenciando as experiências que a paternidade reserva. Silva pôs em prática um treinamento de pai de primeira viagem.
“Já vim me preparando com a minha sobrinha. Ela chorava e eu já chegava ao berço antes de minha irmã levantar da cama”, diverte-se. “Pretendo ser o melhor pai possível”, completa.
Suite vê, de fato, na paternidade um divisor. “É uma sensação boa, de alegria e expectativa. É um clico da vida que se complementa e uma nova fase que se inicia. É uma realização de um sonho”, conclui.
‘Alguém era responsável por mim. Agora, inverteu’
Ser pai, indiscutivelmente, traz uma carga de responsabilidade e amadurecimento. A consciência de ter alguém que será dependente de você para sobreviver, socializar-se e educar-se é algo que faz de fato a atitude de um homem mudar perante a vida. Imagine, então, dar-se conta disso aos 16 anos.
É o caso de Raphael Lourenço
Cavalcanti, que será pai daqui a cinco meses. Maduro e calmo, o jovem resume com propriedade a mudança que ocorreu em sua vida há quatro meses: “Alguém era responsável por mim e, agora, inverteu a situação”, sintetiza.
Cavalcanti admite que a notícia da paternidade o pegou de surpresa, mas afirma que assimilou o susto. “Foi um baque, mas, depois, entrou na cabeça que tudo seria bom e se tornou uma alegria muito grande”, comemora.
A felicidade pelo filho a caminho se junta à noção de responsabilidade imediata, que alterou seu comportamento. “A gente muda, é uma responsabilidade saber que tem uma vida vindo sob nosso nome”, pondera.
A namorada, Laura Rodrigues dos Santos, de 15 anos, cita outras mudanças no comportamento do “quase pai”. “Ele ficou bem melhor do que era antes. Ficou mais carinhoso comigo e mais maduro também”, detecta a futura mamãe.
Coração a mil
A seriedade do futuro papai não impede Cavalcanti de curtir os prazeres da nova realidade.
“É uma fase ótima. Ainda mais quando foi fazer a primeira ultrassonografia, foi ótimo! Ver a formação do feto... As coisas estão ótimas e a expectativa é grande”, comenta.
O difícil é conter a euforia e aguardar o nascimento. “O coração fica mil, é uma ansiedade danada que dá. A gente fica muito feliz de saber que vai vir uma vida nova e teremos a responsabilidade de cuidar”, projeta.
Santos confirma a “pressa” do namorado. “Está mais ansioso do que eu, se duvidar”, brinca. Enquanto aguarda, Cavalcanti faz questão de acompanhar passo a passo a gravidez.
“Ele vai a todas as consultas e exames comigo”, relata Laura Santos. E Cavalcanti já vai ter uma amostra do que é ser pai no Dias dos Pais. “Vou antecipar o primeiro Dia dos Pais. Já vou dar um presente para ele”, conta a futura mamãe.
