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Após dois dias de ocupação, a maior parte dos manifestantes deixa Câmara no Rio


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A maior parte dos manifestantes que ocupava a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro desde sexta-feira, dia 9, resolveu deixar o local por volta das 0h30 de ontem. Dos cerca de 50 que estavam no prédio, apenas 13 permanecem.

Um integrante da ocupação que falou com a reportagem por telefone afirmou que o grupo deve ficar até hoje acampado no interior do prédio. O líder estudantil Raphael Almeida, 20 anos, contudo, foi um dos que deixou o local início da madrugada.

De acordo com ele, a decisão de desocupar foi tomada em uma assembleia, na qual os manifestantes chegaram a conclusão de que, diante da relutância de mesa diretora da Câmara em negociar a pauta de reivindicações, ficou decidido que o grupo deveria deixar o prédio e engrossar os movimentos populares nas ruas da cidade.

Na página “Ocupa Câmara Rio” no Facebook, os que decidiram pela permanência na Câmara afirmam que “creem na importância da ocupação para manifestar a rejeição das condições em que a Comissão Parlamental de Inquérito (CPI) dos ônibus foi instalada”.

“Reconhecemos como legítima e complementar a decisão dos ocupantes que optaram pela saída como forma de mobilização para expandir o movimento de pressão à CPI dos ônibus”, afirma a carta. Um grupo de 20 pessoas acampa na escadaria que dá acesso ao prédio em apoio aos manifestantes no interior.

A ocupação, iniciada na última sexta-feira, é em repúdio à escolha de dois parlamentares do PMDB, mesmo partido do prefeito do Rio, Eduardo Paes, para comandar a CPI do Ônibus, que irá investigar a concessão das linhas de ônibus municipais do Rio. Chiquinho Brazão e Uóston foram escolhidos, respectivamente, como presidente e relator da CPI.

Nenhum dos dois votou a favor do requerimento do vereador Eliomar Coelho (PSOL) para a criação da comissão. A expectativa de quem acompanhava a sessão era que Coelho, na condição de autor do relatório, fosse escolhido para conduzir os trabalhos de investigação.

Ontem, manifestantes e o presidente da Câmara, Jorge Filipe (PMDB), não entraram em acordo em reunião no final da manhã. Os dois lados decidiram realizar um novo encontro amanhã no qual os parlamentares avaliarão a pauta de reivindicações dos manifestantes, descontentes com a CPI dos Ônibus na capital Fluminense.

A pauta dos ocupantes tem cinco pontos: a anulação da sessão que decidiu pela presidência e relatoria da CPI dos Ônibus e realização de uma nova com acesso irrestrito do público; retirada dos vereadores Brazão e Uóston da presidência e relatoria; reivindicação de que só vereadores que votaram pela instalação da CPI participem dos trabalhos de investigação; que Eliomar Coelho (PSOL) seja o presidente da comissão; e que todas as reuniões sejam públicas e divulgadas com antecedência.

 

CPI

A Comissão Parlamental de Inquérito (CPI) irá investigar os consórcios de linhas de ônibus que rodam no município. Serão apurados, entre outros assuntos, indícios de formação de cartel e de irregularidades nos contratos que garantem as gratuidades oferecidas aos estudantes da rede pública de ensino.

A primeira reunião da comissão de inquérito está marcada para amanhã, com a convocação do atual secretário de transportes, Carlos Osório, e também do ex-secretário da mesma pasta, Alexandre Sansão. O prazo de conclusão da comissão é de 120 dias.

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