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A pressa é inimiga da virtude

Wellington Anselmo Martins
| Tempo de leitura: 2 min

Todos andam apressados. Olhe o nosso trânsito! Gente correndo para todo lado. Carros correndo para todo lado. Em Bauru, todo dia quatro pessoas são machucadas. Todo dia! Machucadas em acidentes de trânsito. Todos andam apressados. Carros, motos e pedestres! Gente correndo para todo lado. Gente morrendo para todo lado. Em Bauru, todo mês quase duas pessoas são mortas. Todo mês! Mortos em acidentes de trânsito. Porque todos andam apressados, apressados demais.

Culpa do capitalismo! Não, culpa das pessoas, que se tornaram impacientes... As pessoas correm por dinheiro. No trânsito, morrem por dinheiro. E matam também. O trânsito bauruense é um palco de tragédia. Onde a vilã-protagonista não é outra senão a pressa. Culpa do capitalismo! Não, culpa das pessoas, que se tornaram impacientes... As pessoas correm por consumismo e futilidade. No trânsito, brigam com estranhos pelas razões mais fúteis. Hoje, as pessoas são fugazes; e são descartáveis. O trânsito bauruense é um palco de efemeridade. Nonde a vida vale pouco e o carro é que vale muito. Culpa do capitalismo! Não, culpa das pessoas, que se tornaram impacientes...

Trânsito rima com violência. Até quando?! Até quando vamos banhar as ruas com sangue? Usar os carros como armas tão covardes? Há tanta humanidade na tecnologia e tanta desumanidade nos homens. Sim, trânsito rima como violência. Em Bauru, todo dia um veículo é furtado. Todo dia! Porque todos querem lucrar: tanto bandidos quanto mocinhos. Nada torna o homem mais desumano do que o brilho do ouro. É por esse brilho que os apressados brigam e matam no trânsito. É por esse brilho que a paciência deixou de ser virtude usual. Trânsito rima como violência. Até quando, meu Deus?! Até quando seremos assim?

O autor, Wellington Anselmo Martins, é professor, mestrando em Filosofia, graduado em Filosofia, estudante de Jornalismo / www.cafe-com-politica.blogspot.com

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