Internacional

Homens são condenados à morte em Província islâmica

Folhapress
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Dois homens foram condenados à morte por uma corte chinesa da província autônoma de Xinjiang, que concentra uma das principais comunidades muçulmanas do país. Eles foram acusados de terrorismo após os confrontos que deixaram 21 mortos na região em abril.


Maior província da China, Xinjiang é uma das mais conturbadas, palco de frequentes confrontos. A região é habitada pela minoria muçulmana uigur, que se queixa de discriminação da etnia han, à qual pertence 90% da população da China.


As autoridades chinesas atribuíram os incidentes de abril a um "violento grupo terrorista", que seria responsável pela morte de nove policiais e seis assistentes comunitários. A versão é contestada por moradores uigures, que apontam a tensão étnica e a repressão policial como estopim dos confrontos.


Além das duas sentenças de morte, outros três acusados foram condenados a penas de prisão. A corte que emitiu os veredictos anunciou que as acusações incluem homicídio, fabricação de explosivos e participação em grupo terrorista.


A etnia dos condenados não foi divulgada, mas seus nomes sugerem que eles pertencem à minoria uigur, que compõe 45% da população de Xinjiang. Segundo a mídia estatal, a violência de abril começou quando a polícia foi atacada ao investigar uma casa onde havia atividades suspeitas.


No confronto, além de 15 policiais e trabalhadores comunitários, morreram ainda seis "terroristas", conforme o relato oficial.


As restrições impostas pelas autoridades chinesas ao acesso de jornalistas dificultam uma apuração independente do que ocorreu. Logo após os confrontos, repórteres estrangeiros que foram a Xinjiang não conseguiram sequer sair do aeroporto.


Ativistas uigures no exílio afirmam que a violência teve início depois que um jovem da minoria.foi morto por policiais. Outros apontaram para uma antiga disputa com uma família uigur, provocada pela exigência de que os homens raspem a barba e as mulheres removam seus véus muçulmanos.


Muitos uigures dizem que, embora formem a etnia tradicional da região, são tratados como cidadãos de segunda classe, com menos oportunidades econômicas que os chineses han.


Já o governo chinês afirma enfrentar a ameaça de grupos radicais islâmicos. Em junho deste ano, novos confrontos deixaram 35 mortos.


A situação permanece tensa em Xinjiang desde 2009, quando ataques de membros da etnia uigur deixaram cerca de 200 mortos na capital da província, Urumqi, a maioria chineses han.

 

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