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Polícia Civil para por cinco horas

Tisa Moraes com Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

As atividades da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru foram paralisadas durante cinco horas, ontem, durante a Operação Blecaute, deflagrada por delegados e agentes da Polícia Civil em todo o Estado para reivindicar melhores salários e condições de trabalho. Em Bauru, mais de 50 profissionais permaneceram concentrados na frente do prédio da CPJ entre 10h e 15h, quando retornaram ao serviço.

O movimento é organizado pela Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp) e conta com apoio de investigadores e escrivães. Esta foi a terceira paralisação realizada desde julho em nível estadual e um novo protesto está programado para ocorrer no dia 22 de agosto.

A operação, segundo Marcelo Alves Firmino, diretor de mobilização e logística da Adpesp, decorre da insatisfação da categoria frente aos baixos salários e à redução do número de policiais civis ao longo dos anos. Segundo os manifestantes, os profissionais de São Paulo só não recebem menos do que os do Pará, o que leva um delegado, a cada dez dias, a deixar o Estado ou a desistir da profissão.

“Foi essa escassez de servidores que fez com que o governo criasse as CPJs: para aglutinar todo mundo e parecer que há muitos policiais. Só que estamos sobrecarregados e as investigações começam a ficar prejudicadas. A segurança pública está falida. A tendência é de aumento da criminalidade e a maior prejudicada é a sociedade”, avalia Firmino.

Entre as principais exigências, a categoria pede a restruturação da Polícia Civil, que contemple maior número de contratações em todo o Estado. Além disso, querem a aplicação da chamada aposentadoria especial, que concede ao funcionário aposentadoria com integralidade de proventos e paridade salarial de reajustes em relação aos trabalhadores na ativa.

Salários compatíveis

Outro pedido é a aplicação de salário compatível com os níveis de formação dos policiais e a valorização salarial dos delegados, considerando que a profissão foi integrada há alguns anos no rol das carreiras jurídicas. “Nossos rendimentos estão muito aquém dos de defensores, procuradores, promotores e juízes. O governo estadual nos prometeu que, até 2014, colocaria nossos salários no patamar do da Polícia Federal. É o que estamos cobrando, agora”, completa Firmino.

A mobilização conta com apoio do Sindicado dos Investigadores do Estado de São Paulo (Sipesp), que reivindica salários compatíveis com a exigência, desde 2008, de curso superior para o exercício deste tipo de função. “Até hoje, não foi feita a reclassificação da nossa profissão, assim como a de escrivães. Com isso, há uma discrepância enorme: um escrivão do Distrito Federal recebe salário inicial de R$ 7.890,00, valor que um escrivão de São Paulo – que ganha R$ 2,900,00 – não vai ganhar nem no final da carreira”, lamenta. 


Outro lado

A assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que está em negociação com todas as categorias da polícia. Ressalta que o governo do Estado de São Paulo vem investindo na valorização e na reestruturação da carreira policial. “Nos últimos dois anos, policiais civis, militares e científicos tiveram um reajuste de 27,7%, no salário base. O acréscimo proporcionado foi incorporado em duas etapas, 15% em julho de 2011 e 12,7% em agosto de 2012. O aumento beneficiou os oficiais que estão na ativa, aposentados e pensionistas. Além do reajuste salarial, o governo do Estado anunciou um pacote de benefícios às carreiras policiais, com medidas para facilitar as promoções e a valorização de carreiras.”

 

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