Esportes

Copa Paulista: vai, vem, fica?

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 5 min

João Rosan

Técnico Edinho Machado não tem mais aprovação do gestor Fabiano Larangeira

Até segunda, ou “terceira” ordem, Edinho Machado é técnico do Noroeste. A permanência do treinador, que seria discutida em reunião realizada ontem, entre o presidente Anis Buzalaf Jr., o gerente de futebol Josimar Higino e o gestor Fabiano Larangeira, foi o consenso, ou quase isso.

Representante da empresa FL Work and Sport, parceira do departamento de futebol, Larangeira escancara ter votado contra a permanência do treinador. “Amigos, amigos. Negócios a parte”, disse ele, garantindo boa relação com Machado que teria “aviso prévio”: “Ele fica pelo menos até o jogo de sábado (contra o Monte Azul, em casa)”, diz Fabiano.

Edinho não comandou o treino de ontem, conduzido pelo preparador físico Felipe Pires. O técnico chegou a Bauru na parte final das atividades em campo. À paisana, na beira do gramado, conversou muito com Josimar, um dos que bancam a permanência do treinador, ao lado do presidente Buzalaf Jr.

“Futebol é resultado e todo treinador sabe dessa realidade”, explica Fabiano. O gestor, inclusive, dizia, ontem à tarde, ter nomes de substitutos em mente, apesar de não dar nome aos possíveis novos treinadores caso, de fato, Machado saia. “Não digo nomes por questão ética, pois o profissional (Machado) segue trabalhando”, dizia.

Ontem, mais um desencontro de informações mostrou que parte da direção e comissão técnica não já falam mais a mesma língua.

Quase dentro

O atacante Osmar, de 33 anos, que brilhou com as camisas de Santo André – foi destaque na conquista da Copa do Brasil em 2004 pelo Ramalhão – e Palmeiras, com passagem também pelo Flamengo, estava entre as caras novas do treino de ontem no Alfredão. O treinador afirmou aos repórteres, na beira do campo, que o atleta apenas “treinava” com o grupo.

Depois da atividade, porém, o atacante afirmava, claramente que veio para jogar e que poderá estar à disposição até mesmo no sábado, desde que sejam resolvidos os trâmites burocráticos (novela já bem conhecida nos lados do Alfredo de Castilho). Animado com o novo clube, Osmar disse ter recordações de outros tempos do Noroeste.

“Estive aqui na época do Palmeiras e me lembro deste estádio lotado. O clube é maior do que qualquer fase ruim que possa atravessar”, acredita ele, que diz estar “praticamente” acertado como Noroeste. “Está quase tudo certo. Conversei com o Fabiano e acertamos. Só falta assinar”, comenta o atacante.

Quase fora

Tanto o goleiro Yuri quanto Rodolfo não treinaram ontem. O primeiro por conta de dores no tornozelo. O segundo por “problemas pessoais” que seriam discutidos com o treinador Edinho Machado.

O jogador não confirma, mas dá indícios de que “pediria para sair”. “Encontrou clube?”, perguntou Edinho logo ao se deparar com o goleiro sentado no banco de reservas, assistindo ao treino dos companheiros ou “ex-companheiros”.

Babel

Na beira do campo, Machado desabafou. Ele diz que pretende permanecer no clube, desde que alguns compromissos sejam cumpridos. “Esse grupo é excelente, mas tem que ter respaldo. Situações que ocorrem fora (de campo) refletem aqui”, atribui.

Edinho também evidencia não estar mais em total sintonia com toda a cúpula do futebol alvirrubro. “Estou mais motivado do que quando cheguei”, diz. “Mas quero  ser ouvido. E o presidente é o menos culpado disso tudo”, isenta o treinador.

Último colocado no Grupo 1 da Copa Paulista, com apenas um ponto conquistado em cinco jogos, o Noroeste enfrenta o Monte Azul, sábado, pela primeira rodada do returno da primeira fase. Restam cinco partidas na etapa de classificação. Três fora de casa. Duas em Bauru.

Ontem, o técnico manteve o discurso otimista de que “ainda dá”. A favor de Edinho está o fato dele não ter feito pré-temporada com o grupo e somente agora diz estar próximo do elenco que considera ideal. Semana passada, jogadores remanescentes ainda da Série A-2, no primeiro semestre, foram dispensados do elenco à disposição do treinador.

Enrosco

A novela sobre inscrições de atletas na Federação Paulista de Futebol (FPF) é outra epopeia noroestina. O meia Michel ainda não figura entre os jogadores aptos a serem relacionados. A falta do registro de um balancete financeiro, ainda referente ao mandato Damião Garcia, seria o entrave para a oficialização de reforços.

Ontem, uma reunião chegou a ser anunciada para o período da tarde entre empresa, presidente e alguns conselheiros. Parceiro e mandatário conversaram, de manhã, afirma Larangeira. Na parte da tarde, alguns membros do Conselho até foram ao clube, mas não houve reunião formal.

O gestor do futebol noroestino viajou no início da noite para São Paulo motivado, diz, a buscar recursos e ainda tratar de partida amistosa festiva, segundo ele contra “time grande de massa”, em alusão ao aniversário do clube, celebrado no próximo dia 1º.

A interlocutores, Buzalaf e os conselheiros teriam dado novo voto de confiança à Larangeira. No final de semana, após a quarta derrota do time na Copa Paulista, o gestor chegou a afirmar que “dinheiro não cai do céu”. Na ocasião, vencia o prazo, previsto em contrato, para a injeção de R$ 130 mil por parte da empresa nos cofres do clube.

O presidente também mantém o treinador no cargo. Anis ainda teria afirmado que o time não teria mais condições de inscrever ninguém neste semestre. Tanto o presidente quanto o treinador foram procurados, novamente, pela reportagem depois do expediente no Alfredão. Ambos não retornaram as ligações.


Osmar quer jogar

Trazido por Larangeira, o atacante Osmar estava no União S.João onde disputou a Série A-3 do Campeonato Paulista. Ano que vem o clube de Araras vai participar da Série-B (quarta divisão). Osmar teve grande destaque no time do Santo André campeão da Copa do Brasil em 2004.

Carrasco do Palmeiras, dentro do Palestra Itália, onde desclassificou o Alviverde, acabou contratado pela equipe do Parque Antarctica no ano seguinte, quando foi titular do técnico Emerson Leão. Osmar ainda jogou pelo Flamengo. Ele diz que está pronto para o jogo. Resta a assinatura de contrato e, em seguida, a inscrição na FPF.

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