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Paciente morre após 14 dias de espera

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Quioshi Goto

Luiza Vaz de Oliveira mostra foto do marido, José de Oliveira, que morreu após esperar duas semanas por leito hospitalar

Foram longos 14 dias de espera até conseguir a transferência para o Hospital Estadual (HE), mesmo com dois mandados de segurança emitidos pela Justiça. Poucas horas depois de conseguir a vaga de internação, José de Oliveira, 59 anos, acabou morrendo, na manhã de anteontem. O caso foi denunciado ontem pela Comissão de Direitos Humanos da subseção de Bauru da Ordem dos Advogados (OAB).

Cardíaco e com a perna esquerda amputada por problemas de circulação sanguínea decorrentes do diabetes, José deu entrada no Pronto-Socorro Central (PSC) no dia 29 de julho com o pé direito em estado crítico. Foi diagnosticado com infecção articular e insuficiência vascular periférica, havendo necessidade de internação.

O pedido foi feito pelo município ao HE e, então, deu-se início ao calvário do paciente. “Foi um desespero, corremos em todo lugar e, mesmo assim, demoramos duas semanas para conseguir a vaga. Foi tarde demais”, lamenta a viúva Luiza Vaz de Oliveira, 60 anos.

De acordo com o advogado destacado pela Defensoria Pública para cuidar do caso, Tiago da Costa de Castro Coelho, o primeiro mandado de segurança para garantir a internação de José foi expedido pela Vara da Fazenda de Bauru no dia 6 de agosto. “Sem que a determinação fosse atendida, fizemos nova petição e o DRS-6 (Departamento Regional de Saúde 6) foi notificado, no dia 9, a cumpri-la, sob pena de bloqueio de verbas públicas”, completa o advogado.

Mesmo assim, com quadro de saúde já se agravando, José continuou no PSC. No dia 10, a família obteve novo mandado de segurança, que só teria sido cumprido na noite da última segunda-feira, dia 12. Na manhã do dia seguinte, no entanto, o paciente acabou falecendo.

“A sensação é de impotência. Temos certeza de que houve negligência. Ele não teria morrido se tivesse sido internado, como precisava, logo no primeiro dia. É um absurdo”, indigna-se Luiza. De acordo com o advogado, a família pretende acionar o Estado judicialmente para requerer indenização e para apuração da responsabilidade criminal por eventual omissão de socorro.

Procurada, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde informou que o PSC não fez o pedido de vaga para a Central de Regulação de Serviços e Ofertas de Saúde (Cross), responsável pela transferência de pacientes que necessitam de leitos de UTI em todo o Estado. O DRS-6 teria sido notificado apenas no dia 12 e internado o paciente no mesmo dia no HE.

Após a avaliação médica, a unidade teria descoberto que o paciente, diagnosticado com insuficiência venosa e cetoacidose, precisava, na verdade, de UTI coronária. “Os leitos de UTI coronária apresentam maior rotatividade e vagam com maior facilidade, por ficarem disponíveis apenas para casos cardíacos. Portanto, além do diagnóstico errado do paciente, o PS municipal de Bauru não fez o pedido de transferência à central de regulação estadual”, contesta a nota enviada pela assessoria.

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