Quioshi Goto |
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Luiza Vaz de Oliveira mostra foto do marido, José de Oliveira, que morreu após esperar duas semanas por leito hospitalar |
Foram longos 14 dias de espera até conseguir a transferência para o Hospital Estadual (HE), mesmo com dois mandados de segurança emitidos pela Justiça. Poucas horas depois de conseguir a vaga de internação, José de Oliveira, 59 anos, acabou morrendo, na manhã de anteontem. O caso foi denunciado ontem pela Comissão de Direitos Humanos da subseção de Bauru da Ordem dos Advogados (OAB).
Cardíaco e com a perna esquerda amputada por problemas de circulação sanguínea decorrentes do diabetes, José deu entrada no Pronto-Socorro Central (PSC) no dia 29 de julho com o pé direito em estado crítico. Foi diagnosticado com infecção articular e insuficiência vascular periférica, havendo necessidade de internação.
O pedido foi feito pelo município ao HE e, então, deu-se início ao calvário do paciente. “Foi um desespero, corremos em todo lugar e, mesmo assim, demoramos duas semanas para conseguir a vaga. Foi tarde demais”, lamenta a viúva Luiza Vaz de Oliveira, 60 anos.
De acordo com o advogado destacado pela Defensoria Pública para cuidar do caso, Tiago da Costa de Castro Coelho, o primeiro mandado de segurança para garantir a internação de José foi expedido pela Vara da Fazenda de Bauru no dia 6 de agosto. “Sem que a determinação fosse atendida, fizemos nova petição e o DRS-6 (Departamento Regional de Saúde 6) foi notificado, no dia 9, a cumpri-la, sob pena de bloqueio de verbas públicas”, completa o advogado.
Mesmo assim, com quadro de saúde já se agravando, José continuou no PSC. No dia 10, a família obteve novo mandado de segurança, que só teria sido cumprido na noite da última segunda-feira, dia 12. Na manhã do dia seguinte, no entanto, o paciente acabou falecendo.
“A sensação é de impotência. Temos certeza de que houve negligência. Ele não teria morrido se tivesse sido internado, como precisava, logo no primeiro dia. É um absurdo”, indigna-se Luiza. De acordo com o advogado, a família pretende acionar o Estado judicialmente para requerer indenização e para apuração da responsabilidade criminal por eventual omissão de socorro.
Procurada, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde informou que o PSC não fez o pedido de vaga para a Central de Regulação de Serviços e Ofertas de Saúde (Cross), responsável pela transferência de pacientes que necessitam de leitos de UTI em todo o Estado. O DRS-6 teria sido notificado apenas no dia 12 e internado o paciente no mesmo dia no HE.
Após a avaliação médica, a unidade teria descoberto que o paciente, diagnosticado com insuficiência venosa e cetoacidose, precisava, na verdade, de UTI coronária. “Os leitos de UTI coronária apresentam maior rotatividade e vagam com maior facilidade, por ficarem disponíveis apenas para casos cardíacos. Portanto, além do diagnóstico errado do paciente, o PS municipal de Bauru não fez o pedido de transferência à central de regulação estadual”, contesta a nota enviada pela assessoria.
