Na reunião de ontem da Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Bauru, membros do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC) denunciaram suposta irregularidade cometida por médicos da unidade e, principalmente, do Pronto-Atendimento Infantil (PAI). Profissionais bateriam o ponto de entrada, mas sairiam logo em seguida, retornando ao trabalho algumas horas depois.
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Relato do coordenador do grupo, Ricardo Barbosa, foi formalizado em reunião, nesta quinta-feira (15) |
Os vereadores vão apurar a denúncia classificada por eles como “gravíssima”. Contudo, o coordenador do conselho, Ricardo Barbosa, não apresentou elementos que comprovassem sua declaração nem citou nomes de profissionais que burlassem o cumprimento das escalas médicas.
Questionado por Paulo Eduardo de Souza (PSB), Raul Gonçalves Paula (PV) e Telma Gobbi (PMDB) – membros da Comissão de Saúde -, Barbosa reafirmou que a prática existia. “Não vou ser hipócrita. Batem um ponto e, se tem alguma coisa para fazer, saem e voltam algum tempo depois”.
O coordenador do Conselho Gestor disse ainda que, para comprovar suas afirmações, basta fazer o comparativo com os registros de ponto dos médicos e os horários dos prontuários dos pacientes atendidos por eles. “Como administrador, era o que eu faria para apurar isso”, disse em entrevista ao Jornal da Cidade.
Barbosa afirmou que já viu casos como esse acontecerem e também já ouviu relatos de funcionários. “Se é uma prática recorrente, a Secretaria de Saúde precisa apurar. Não é a primeira nem segunda nem terceira vez [que vejo isso acontecer]”.
Segundo o denunciante, que deu depoimento formal à Comissão de Saúde, apesar do problema ser acentuado no PAI, sabe de casos iguais no PSC. “Acontece, principalmente por volta das 19h, quando troca o plantão dos médicos e acumula a demanda da tarde da noite. Tem médico que só começa a atender depois das nove [da noite]”.
Barbosa explicou que, por essa razão, os problemas criados pela demora no atendimento de pacientes – os quais chegam até à polícia – ocorrem no período da noite. “Deveria haver três médicos atendendo na ponta e, algumas vezes, só tem um”, pontuou.
Recuou
Antes da reunião de ontem, Ricardo Barbosa já havia conversado com os vereadores da comissão e exposto a denúncia de forma muito mais convicta, inclusive citando nomes, de acordo com apuração do JC.
Na ocasião, foi feito a ele o pedido de que formalizasse os apontamentos. Paulo Eduardo, no entanto, garante que havia avisado Barbosa de que as informações passadas aos parlamentares na ocasião anterior já eram oficiais, o que foi rechaçado pelo denunciante e criou certa polêmica ainda no começo da reunião de ontem.
“A reunião que eu vim [da primeira vez] era informal”, disse o coordenador do conselho, irritando também o vereador Raul, que testemunhou a favor de Paulo Eduardo.
A postura do Conselho Gestor já havia sido adiantada por Isabel Zandona, membro do grupo e servidora da unidade, que também participou da reunião. Logo no início dos trabalhos, ela avisou que caberia aos vereadores investigar as denúncias, pois a intenção do grupo não era nominar médicos nem profissionais.
Providências
Os três vereadores e médicos da Comissão de Saúde agendaram reunião do grupo para o próximo domingo. Segundo o presidente, Paulo Eduardo de Souza (PSB), na ocasião, todas as denúncias serão avaliadas, bem como serão deliberadas as providências a serem tomadas para garantir a apuração.
Telma Gobbi defende que um ofício com as informações seja encaminhado à Comissão de Fiscalização e Controle do Legislativo. O presidente Sandro Bussola (PT) sugeriu, informalmente, a remessa das denúncias ao Ministério Público e há quem fale em Comissão Especial de Inquérito (CEI).
Já Raul Gonçalves Paula (PV) comentou, durante a reunião de ontem, que se a prática for comprovada demonstra a falta de um gestor dentro das unidades, crítica endossada pelo coordenador do Conselho Gestor, Ricardo Barbosa.
Outras críticas ao funcionamento do Pronto-Socorro foram registradas na reunião de ontem e os vereadores se comprometeram a marcar audiência pública para discutir questões operacionais da unidade.
Sabbag: “Vou investigar”
Diante das denúncias formalizadas à Comissão de Saúde, o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antonio Sabbag, disse ao JC que vai investigar. Apesar disso, garantiu desconhecer a prática. “Acho até muito esquisito falar em um negócio desses porque a gente trabalha com número reduzido de médicos [quatro por plantão do Pronto Atendimento Infantil]”.
Segundo Sabbag, quando há tumulto ou demora no atendimento, o motivo é um só: superlotação. “Todas as vezes que checamos, o problema era esse; nunca a falta de médicos. Há dias em que o PAI atende mais que o Pronto-Socorro”.
Quanto ao atendimento de urgência para adultos, ele admite que, em algumas situações, estão na escala apenas dois médicos clínicos, em função do remanejamento de profissionais para preencher os quadros da Unidade de Pronto Atendimento Geisel/Redentor, inaugurado no início deste mês. “Mas temos um cirurgião e um ortopedista também”, frisa.
Chefe do PAI, a pediatra Eclair Gomes também alega desconhecer a prática. Segundo ela, o número reduzido de médicos em alguns plantões se deve a falta de profissionais para completar a escala. “Hoje mesmo só tinha uma. Eu vim dar plantão para ela não ficar sozinha”.
Ela explica que apenas um profissional assumiu o cargo após o recente concurso público realizado pelo município. “Em compensação, um foi exonerado e outro está em licença por tempo indeterminado. Efetivamente, temos 19 pediatras que atuam na unidade”.
