Quioshi Goto |
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'Pedimos mais 15 dias aos jogadores. Vamos dar um jeito, passar fome ninguém vai', diz o presidente do clube, Anis Buzalaf Jr |
Funcionários e atletas do Noroeste mostraram que a paciência sobre os atrasos de salários no clube chegou ao limite. A gota d’água caiu ontem, quando colaboradores de diversos setores, além dos próprios jogadores, se amotinaram no clube. Simultaneamente à paralisação em áreas como portaria ou cozinha, os atletas quase não treinaram.
Eles foram demovidos do levante após uma longa e tensa reunião no vestiário. A conversa, com momentos de bate-boca, teve a presença de Fabiano Larangeira, da empresa FL Work and Sport (co-gestora do futebol noroestino) e de Anis Buzalaf Jr., presidente do clube. Ambos pediram nova trégua, acatada pelo elenco que, após o motim, fez um treino leve no gramado.
O novo prazo para quitação dos débitos com os atletas expira daqui a 15 dias. É o tempo pedido por Buzalaf Jr., que, da mesma forma que Fabiano, garante correr atrás de patrocinadores que até agora não sinalizaram firmar parcerias com o clube. Entre os demais funcionários, porém, segue a bronca.
Após a nova promessa aos atletas, funcionários da limpeza e portaria seguiram sem saber se recebem ou não, também, dentro do prazo anunciado aos jogadores. Havia empregado dizendo não retornar hoje. “Não sei, talvez, com a cabeça mais fria a gente desiste da ideia. Mas a vontade é não voltar”, desabafa um empregado.
Onde falta pão...
Os ânimos dentro do vestiário se exaltaram. Cobranças em alto e bom som por parte de atletas ecoavam para o lado de fora, onde repórteres ouviam, sem dificuldades, os tensos argumentos de quem precisa receber e de quem deve, e não nega. “Estou correndo atrás para fazer a receita”, justifica-se Larangeira.
Em entrevista coletiva após a conversa com os jogadores, o presidente voltou a lamentar a, segundo ele, falta de apoio a qual sofre o clube e garantiu tomar providências para a retomada do pleno funcionamento do centenário Norusca. “Pedimos mais 15 dias. Estamos com patrocínios a serem fechados”, alega.
A cozinha, antecipam funcionários, segue parada enquanto a diretoria não saldar os vencimentos, atrasados em um mês. Há empregados, entretanto, com os vencimentos de junho e julho a receber, além do 13º salário do ano passado. Há atleta que reclama não receber há cinco meses.
Na cozinha, Anis garante: “Vamos dar um jeito, passar fome ninguém vai”, compromete-se, apesar de evasivo sobre qual solução pontual para o setor que serviria cerca de 190 refeições diariamente.
‘Excelente’
Ao menos para Edinho Machado, é assim que está o ambiente de vestiário. Tanto ele quanto Larangeira (que publicamente se manifesta contra a permanência do técnico) consideram a conversa como forma de colocar “pingos nos is” e verdades sobre a mesa. “O clima está excelente. Apenas foi lavada a roupa suja de um time que ainda não venceu”, avalia.
Fabiano, ao menos no assunto “papo” no vestiário, endossa o discurso de Machado. “Foi uma conversa boa, onde verdades foram ditas”, aplaude.
