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Mortandade de abelhas é mistério

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Há aproximadamente quatro anos, o engenheiro agrônomo de uma fazenda de Bauru usa apiários com abelhas das espécies mestiça africana e europa, consideradas silvestres, para fazer a polinização de sua plantação de avocados. Misteriosamente, na última segunda-feira, os insetos de 51 das 250 colmeias morreram. No ano passado, uma propriedade rural de Lençóis Paulista sofreu o mesmo problema.

A plantação de avocados desta fazenda atualmente passa pela época de florada, justamente o período onde essas abelhas deveriam estar distribuindo o pólen das flores machos para as fêmeas.

“Nós estamos justamente na época de florada. A falta das abelhas acabará sofrendo a interferência de outros insetos que não fazem a polinização. Isso reduzirá de 30% a 50% da nossa produção neste ano, um prejuízo de cerca de R$ 500 mil”, disse Vitor Carvalho, engenheiro agrônomo da fazenda e empresário.

Mistério

No início, os donos da propriedade rural suspeitaram que algum agrotóxico utilizado em propriedades vizinhas pudesse ter causado a morte das abelhas.

No entanto, o engenheiro agrônomo chegou à conclusão, preliminarmente, de que essa possibilidade seria remota, já que apenas 51 das 250 caixas foram atingidas.

“Nós acreditamos que seja uma ação criminosa. Se a causa fosse os agrotóxicos, todas as abelhas estariam mortas, mas apenas uma área foi atingida. Mas já registramos boletim de ocorrência e foi feita perícia para apurar o que realmente aconteceu”, apontou Carvalho.


Na região

Conforme noticiado pelo JC, não é a primeira vez que casos assim são registrados na região de Bauru. Em 2010, apicultores da região de Iacanga (50 quilômetros de Bauru) detectaram a morte de 250 colmeias em diversas fazendas. Até o final do ano, foram contabilizadas aproximadamente 8 milhões de abelhas mortas, que resultaram em prejuízos estimados em R$ 50 mil.

No início de 2011, o delegado de Iacanga, Doniseti José Pinezi, concluiu as investigações sobre o caso e relatou o inquérito à Justiça de Ibitinga pedindo a responsabilização do dono da propriedade onde foi aplicado o Regent por crime ambiental. Em depoimento, ele negou ter usado o produto no laranjal, mas o delegado ressaltou que se baseou em laudos documentais e testemunhais para solicitar sua condenação.

Já em junho de 2011, outro caso semelhante foi registrado em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru). O dono de uma propriedade rural perdeu todas as abelhas de seu apiário e afirmou que amigos, também donos de fazendas, estariam constatando o mesmo problema. Até dezembro do ano passado, o caso ainda estava sem resposta e a investigação seguia.


Investigação

O caso já chegou à Central de Polícia Judiciária de Bauru (CPJ) e está sendo investigado como crime ambiental, apesar de, inicialmente, se tratar de um dano. “O caso está sendo investigado como crime ambiental e agora vamos aguardar o laudo da perícia, que deve sair em 30 dias, para saber o que causou essa morte”, explicou o delegado da Central de Polícia Judiciária (CPJ), Dinair José da Silva.

A reportagem entrou em contato com o escritório regional da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) em Bauru para saber se haverá uma segunda investigação sobre o caso. Entretanto, foi informado ao JC que a Cati só pode ser acionada judicialmente para encaminhar profissionais para análise.

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