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Alberto Consolaro
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Malária: o começo! Os brasileiros Ruth e Victor Nussenzweig em 1965 na Universidade de Nova York irradiaram os mosquitos da malária para que os parasitas da doença localizados nas glândulas salivares destes insetos fossem atenuados e deixassem de produzir a doença. Depois deixaram estes mosquitos picarem voluntários americanos e observou-se que ficaram imunizados contra a malária. A conclusão foi: irradiar parasitas inteiros ou esporozoíto para tirar seu poder de produzir a doença se inoculados em seres humanos.


Eles continuaram ... – Os americanos Stephen Hoffman e Robert Seder continuaram as pesquisas dos brasileiros. Pegaram mosquitos da malária e dissecaram cada inseto até chegar nas glândulas salivares para remover os parasitas. Os parasitas eram irradiados para perder sua capacidade de produzir doenças e depois aplicados nas pessoas para imunizá-las. Esta vacina não deu certo quando injetada no subcutâneo das pessoas. No entanto, depois tentaram injetar na corrente sanguínea por via venosa. Em seis dos seres humanos que receberam doses máximas da vacina e cinco injeções, todos ficaram imunizados completamente. O trabalho foi publicado este mês na revista Science.


Vacina comercial – A Sanaria, empresa onde trabalha Hoffman, apelidou a vacina de PfSPZ e para viabilizar comercialmente o produto ainda vai ter que passar vários obstáculos: (1) achar um jeito melhor de inocular em humanos, pois campanhas com injeção intravenosa são inviáveis, (2) obter o parasita sem precisar dissecar cada inseto, (3) provar que funciona em todos os humanos e para os vários tipos de parasita da malária e (4) que a vacina pode ser transportada de forma viável e prática sem equipamentos sofisticados.


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Alberto Consolaro é? professor titular da USP - Bauru. Escreve todas as segundas-feiras no JC. Email: consolaro@uol.com.br

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