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60 minutos. Foi esse o tempo que um trio a pé necessitou para roubar seis pessoas em Bauru. Com pelo menos dois assaltantes armados de revólver, eles abordaram seus alvos no Jardim Brasil, Nações Unidas e Parque Vitória Régia. As vítimas do “arrastão”, quase todos jovens (os nomes foram preservados pela reportagem), relataram que os bandidos ameaçavam e xingavam bastante. Até agora, ninguém foi preso.
Além da sequência de crimes, chamou a atenção que eles não foram cometidos tarde da noite anteontem. O primeiro ocorreu por volta das 20h em uma praça localizada na travessa Nereid Arruda dos Santos, Jardim Brasil.
“Estava meu amigo e eu no banco e os três já estavam na praça. Tinha muita gente passando. De repente, o trio veio na nossa direção. Achei que eles quisessem alguma informação”, conta uma universitária, de 22 anos, que foi assaltada junto com outro jovem, de 19 anos.
Porém, o trio não estava em busca de informações. “Eles chegaram e sentaram do nosso lado. Dois já mostraram o revólver e anunciaram o assalto. Um deles estava tranquilo. Já os outros estavam bem nervosos. Eles mandavam a gente não gritar nem chorar, senão iriam atirar. Ainda xingavam bastante também”, conta a jovem, que nunca havia sido assaltada.
Os bandidos fugiram levando celulares e as carteiras das vítimas com documentos pessoais, cartões bancários e R$ 100,00 em dinheiro.
Logo na esquina, eles encontraram o novo alvo. Pararam outra universitária, de 20 anos, que passava pelo local. Após mais ameaças, levaram a bolsa da jovem, onde estavam as chaves da sua residência, carteira, cartões bancários e R$ 50,00 em dinheiro.
Segundo boletim de ocorrência (BO), o trio seguiu a pé para a Nações Unidas. E foi lá que, por volta das 20h20, fez a quarta vítima. Na alça de acesso à Duque de Caxias, os assaltantes encontraram um operador de telemarketing de 17 anos.
Logo que o abordaram, mandaram que ele abaixasse a cabeça. Do adolescente, levaram também o telefone celular e uma mochila, com documentos, roupas e R$ 30,00.
Cerca de meia hora depois, o trio fez as últimas duas vítimas do “arrastão”. Os criminosos encontraram, na escadaria do anfiteatro do Parque Vitória Régia, um jovem de 19 anos e um homem de 27. Eles levaram R$ 47,00, os celulares, documentos e a chave da motocicleta de uma das vítimas.
Mesmos autores
Para a Polícia Militar (PM), pelos locais e pelo modo de operação, todas as ações foram cometidas pelo mesmo trio. Uma coincidência também chama a atenção: ao menos três vítimas reconheceram um revólver cromado nas mãos do trio.
No BO, os suspeitos foram descritos como magros, pardos e de altura mediana. Um deles tinha cabelo preto e curto e estava com jaqueta preta e bermuda jeans. Já o outro, de camiseta vermelha, tinha cabelo “baixo” e barbicha. Do terceiro, as vítimas notaram apenas que ele estava de boné.
“A Polícia Militar tem um procedimento padrão quando há casos assim. O comandante da área muda o cartão de prioridade de policiamento, fazendo com que as unidades de serviço intensifiquem o patrulhamento nos locais onde os crimes ocorreram”, explica o oficial de Relações Públicas do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Alan Terra.
Na tarde de ontem, a Polícia Civil ainda não havia distribuído os BOs para a investigação. Até o fechamento desta edição, os suspeitos não foram localizados nem mesmo identificados.
Polícia Militar acredita que casos em série seriam ‘crime de oportunismo’
Além dos aparelhos celulares, os ladrões conseguiram pouco mais de R$ 200,00 com as seis vítimas. Por conta disso, a PM afirma que se trata de um crime de oportunismo, muito provavelmente relacionado à dependência química.
“São aqueles crimes de pura oportunidade. Tanto que só foram roubados pequenos valores. Tudo indica que sejam dependentes químicos roubando para alimentar o vício. É uma questão de desespero mesmo”, aponta o capitão Alan Terra.
Questionado sobre como os assaltantes conseguiram agir repetidas vezes por cerca de uma hora em um perímetro relativamente pequeno, ele acredita que o trio possa ter se escondido entre um roubo e outro.
“Há bolsões onde eles podem ter se escondido. Mas, a partir da primeira ocorrência, as viaturas começam a patrulhar as proximidades. Com certeza, o número de abordagens naquela região foi muito maior naquele momento”, complementa.
Ainda em relação ao horário do “arrastão” (entre 20h e 21h), o capitão Alan Terra confirma: “eles foram bem audazes”.
