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A taxa de desemprego no Brasil caiu pela primeira vez neste ano ao atingir 5,6% em julho, menor taxa desde fevereiro, mas ao mesmo tempo o rendimento real da população recuou pela quinta vez seguida.
Em junho, a taxa de desemprego havia atingido o patamar mais alto desde abril de 2012 ao chegar a 6,0%. Em fevereiro deste ano o desemprego também atingiu 5,6%.
O número divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters, cuja mediana de 21 projeções apontou que a taxa atingiria 5,8%.
A última queda do desemprego tinha acontecido em dezembro passado, quando atingiu a mínima histórica de 4,6% num momento sazonalmente favorável pelas festas de fim de ano.
Na avaliação de analistas, o resultado aponta para uma moderação do mercado de trabalho.
“Em termos ajustados sazonalmente, o desemprego permaneceu inalterado em 5,6%, basicamente o mesmo nível que tem prevalecido desde meados de 2012. Em outras palavras, apesar da fraca performance da criação formal de empregos..., os dados do IBGE apontam para um cenário de estabilidade”, escreveu em nota o ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central Alexandre Schwartsman.
A avaliação é compartilhada pelo coordenador da pesquisa no IBGE, Cimar Azeredo, uma vez que julho foi o segundo mês seguido em que a taxa de desemprego ficou acima do mesmo mês do ano anterior. Em junho e julho de 2012, ela atingiu 5,9 e 5,4%, respectivamente.
“O número de pessoas que está entrando no mercado não tem sido suficiente para reduzir a taxa. Há uma estabilidade no mercado de trabalho em relação ao ano passado”, disse Azeredo. No ano, a taxa de desemprego média está em 5,7%, ante 5,8% de janeiro a julho no ano passado.
Na quarta-feira, o Ministério do Trabalho informou que o Brasil criou 41.463 vagas formais de trabalho em julho, o pior resultado para o mês desde 2003, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Ontem, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, justificou os números do Caged dizendo que eles se devem ao “estoque” maior de empregos hoje. Mas o crescimento econômico fraco e a queda da confiança do setor produtivo e do consumidor também são fatores inibidores para a criação de empregos.
Ocupação e renda
A população ocupada cresceu 0,7% em julho na comparação com junho e aumentou 1,5% ante o mesmo período do ano anterior, totalizando 23,136 milhões de pessoas nas seis regiões metropolitanas avaliadas. Enquanto isso a população desocupada chegou a 1,379 milhão de pessoas, queda de 5,3% ante junho, mas alta de 6,1% sobre um ano antes. Os desocupados incluem tanto os empregados temporários dispensados quanto desempregados em busca de uma chance no mercado de trabalho.
Poder de compra dos trabalhadores
Dois indicadores divulgados ontem mostram que a renda dos trabalhadores brasileiros e seu poder de compra foram reduzidos no primeiro semestre deste ano. Por um lado, subiu a proporção de acordos salariais que ficaram abaixo do INPC (índice de inflação usado nas negociações), enquanto caiu a porcentagem das categorias que conseguiram superá-lo.
Por outro lado, a renda média real, pesquisada pelo IBGE, teve em julho a quinta redução consecutiva, caindo 0,9% em relação a junho. Correções salariais menos generosas ou mesmo abaixo da inflação são um dos motivos para essa redução na renda média.
