Fotos: Malavolta Jr. |
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Após confusão pela manhã, Larangeira voltou ao clube escoltado pela PM |
A parceria entre Noroeste e FL Work and Sports está encerrada. O final da cogestão foi oficializado ontem, da pior forma, com denúncia de agressão física do agora ex-gestor Fabiano Larangeira contra o técnico Edinho Machado. Ele diz ter sido abordado no vestiário, com as portas trancadas. A confusão foi cessada pela intervenção do gerente Josimar Higino.
Edinho registrou boletim de ocorrência ainda na manhã, mas o documento foi lavrado apenas durante a tarde, devido à paralisação da Polícia Civil no expediente da manhã. Procurado pela reportagem, Fabiano disse que falaria apenas hoje.
Ontem, com forte aparato policial dentro do clube, o presidente Anis Buzalaf Jr., acompanhado pelos conselheiros Toninho Rodrigues (presidente do colegiado deliberativo) e Abel Fernando Abreu, anunciou a destituição da parceria, citando o estatuto do clube, intolerante a qualquer tipo de agressão física.
Entretanto, o contrato previa rompimento sem ônus para qualquer um dos lados, bastando apenas à parte dissidente formalizar o desligamento.
Mau começo
Apesar da agressão ser o estopim oficial, a rápida passagem de Larangeira por Bauru foi marcada por decepções e promessas.
Por contrato, a empresa teria de injetar, apenas no primeiro mês, R$ 60 mil nos cofres noroestinos. O dinheiro não chegou. Em agosto, a parceira teria de depositar R$ 130 mil, também não honrados.
Semana passada, atletas se recusaram a treinar por conta de salários atrasados. Funcionários também protestaram. A cozinha, sem alimentos e pessoal, parou. Larangeira, na ocasião, pediu mais 15 dias para quitar a folha de pagamento.
O relógio corre, agora, sem Fabiano para pagar ou prorrogar dívida. A cúpula não confirma cumprir o prazo “herdado”. “Se chegar dinheiro amanhã pagamos amanhã. Caso contrário, seguimos tentando”, resume o conselheiro Abel.
Estopim
Larangeira e Machado não falavam a mesma língua há semanas. Jogadores chegavam, mas não eram aproveitados pelo técnico, que pregava respeito aos atletas já no elenco e sem receber. Especula-se que o gestor teria “explodido” com a recusa de Edinho em treinar atletas ainda não inscritos.
O caso mais emblemático é o do atacante Osmar. Enquanto o técnico refutava a contratação, o atacante dava entrevistas como contratado. Confirmado por Fabiano e rejeitado por Machado, Osmar foi embora dias depois. Larangeira defendia a demissão de Edinho que nunca perdeu o prestígio do presidente. O desencontro eclodiu em boletim de ocorrência.
‘Tocaia’
No mesmo carro, Machado e Larangeira chegaram ao clube por volta das 9h. Ninguém confirma o motivo que descambou para socos no vestiário. Machado foi acudido por Josimar. O gerente abriu a porta para a saída do técnico, de 54 anos. Larangeira tem 38.
“Se eu soubesse jamais teria entrado. Ele é muito maior”, diz Machado mantendo aparente bom humor. “Foi uma agressão covarde. Não houve briga”, diferencia Machado, de 1,68m. de altura. “Eu tentava me defender”, narra o treinador. “É melancólico”, taxa.
Emoção
O sorriso de Edinho, apesar das escoriações no rosto, cessou quando questionado sobre a reação dos familiares. Assim que perguntado, Machado se recolheu, desta vez sozinho, no mesmo vestiário em que foi agredido e retornou minutos depois. Na coletiva, pediu. “Por favor, apenas não perguntem de minha família”.
Blitz alvirrubra
Após o registro da ocorrência de agressão, aparato policial militar foi deslocado para dentro do clube. Viaturas da Base Noroeste, até com presença das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam), foram deslocadas para evitar mais confusão.
Sob “escolta”, o acusado de agredir o treinador não falou com os repórteres. Dentro da sala de imprensa, presidente e conselheiros, após anunciar a ruptura, voltaram a insistir que o maior problema do Noroeste é dinheiro.
Jogadores apoiam técnico
Entre os atletas, o discurso é de apoio a Edinho. Enquanto a parceria era liquidada, o treinador comandava o treino no gramado, visando jogo de domingo, contra o Mirassol. “As coisas não vinham bem entre eles”, confirma o goleiro Yuri. “Mas não esperávamos vias de fato”, surpreende-se. “Sabemos do profissionalismo do Edinho”, apoia.
O zagueiro Marcos Aurélio, um dos atletas que vieram sob intermédio de Larangeira, também lamenta, mas diz continuar. “Sou funcionário do Noroeste”, sintetiza. Jorginho Paulista, Muçamba, Marco Túlio, Michel Neves e Cleberson, também trazidos pela parceira, seguem na mesma situação até segunda ordem.
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Em coletiva, Toninho Rodrigues, Buzalaf e Abreu; presidente mantém discurso: ‘Se chegar alguém com condições eu largo’ |
‘Abrace quem puder’
Anis Busalaf Jr., por sua vez, apesar do recente anúncio de que “entregaria as chaves do clube na prefeitura dia 30”, caso não se chegasse a uma solução para as dívidas, garantiu que permanece no cargo e que ainda busca alternativas. A próxima cartada é programa associativo com torcedores.
O clube quer vender pacotes de R$ 40 e R$ 50 para novos sócios que, ao contribuírem com as parcelas mensais, teriam acesso irrestrito a todos os jogos. A meta, anuncia o presidente, é arrebanhar 4 mil noroestinos.
“Com esse número de sócios conseguiríamos pagar nossos compromissos sem empresários”, disse, garantindo que segue na presidência, apesar de colocar o cargo à disposição de alguém com “bala na agulha” para tocar o clube. “Se chegar alguém com condições eu largo”, admite.
Recrutamento
Ainda na coletiva, o presidente anunciou a campanha para angariar membros para o “Sócio Fidelidade”, programa com títulos disponibilizados em estandes no calçadão da Batista e estabelecimentos conveniados, antecipa, entre eles a Multiportas e Music Sound. Através de contribuição mensal de R$ 50 ou R$ 40, sócios teriam acesso a todos os jogos.

