Política

Dia sem negociação confirma greve

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

O governo não avançou as negociações e o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) informou ser inevitável a paralisação dos trabalhadores da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) na próxima segunda-feira. A greve foi aprovada em assembleia na última quinta-feira e pode paralisar serviços essenciais, como a coleta de lixo.

Presidente da Emdurb, Nico Mondelli afirma que durante toda a sexta-feira tentou contatar a diretoria do sindicato, mas não foi atendido. A proposta seria segurar a greve até que uma mesa de negociação fosse mediada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) na tarde de segunda-feira.

“Fui pessoalmente conversar com o procurador do Trabalho Luiz Henrique Rafael e ele sugeriu essa alternativa, mas, infelizmente, não conseguiram. Tentamos de tudo para evitar a paralisação”, conta Nico.

Segundo o presidente, coube à Emdurb conversar com os trabalhadores durante o dia de ontem, explicando qual é a proposta do Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS) e quais foram as melhorias já oferecidas à categoria. “Muitos nem sabem o que está acontecendo. Amanhã [hoje] vamos continuar conversando com alguns trabalhadores”.

O órgão municipal está orientando todos os seus funcionários a trabalharem depois de amanhã. Mondelli argumenta que o plano apresentado não tinha caráter definitivo e as propostas estavam abertas para negociação.

O presidente da Emdurb avalia que a diretoria do Sinserm perdeu o controle sobre um grupo de trabalhadores que traçou a greve como objetivo. “Nossa proposta foi muito boa. Eu simplesmente não entendi”, afirmou.

De fato, diretoras do Sinserm alertaram, durante a última assembleia, acerca dos avanços conquistados e ponderaram as dificuldades de uma paralisação. No entanto, aproximadamente150 trabalhadores aprovaram a greve por unanimidade. Ao todo, a Emdurb possui cerca de 800 servidores em seu quadro de pessoal.

A assessoria de imprensa do sindicato informou, ontem, que qualquer nova proposta só será analisada pela categoria na concentração grevista marcada para às 6h de segunda-feira, no pátio da coleta seletiva.

A diretoria da entidade já havia manifestado o compromisso de manter 30% dos trabalhadores ativos nos serviços essenciais, como o funerário e, principalmente, a coleta de lixo.


A pauta

A proposta de negociação apresentada ontem pela Emdurb ao sindicato previa pagamento de abono mensal, entre setembro e dezembro deste ano, no valor de R$ 80,00 para os funcionários que atuam em cargos que exigem apenas o ensino fundamental ou ainda no valor de R$ 50,00 para todos os trabalhadores, com exceção dos comissionados e dos que exercem cargos de diretoria.

Em relação ao PCCS – principal ponto de reivindicação da categoria -, a Emdurb propôs garantir aumento de 8% a cada três anos mediante a apresentação de diplomas de aumento na escolaridade por conclusão de ensino fundamental, médio, superior, mestrado ou doutorado. O texto inicial oferecia, no máximo, 2%.

A diretoria do Sinserm reconhece os avanços na proposta da Emdurb, mas sinalizou que vai reivindicar que os funcionários do órgão municipal tenham ganhos salariais imediatos, como aconteceu para grande parte dos servidores da prefeitura e do Departamento de Água e Esgoto (DAE), por meio dos PCCS.

O Sinserm deve cobrar também a formalização do compromisso de Nico para que o PCCS entre em vigor até o dia 1 de janeiro de 2014. Incialmente, a Emdurb cogitava implantá-lo no mês de março, recuou para o primeiro mês do ano, mas não definiu o dia.

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