Tribuna do Leitor

Caso Elias, 12 anos de espera!


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Na manhã do último dia 14 fui tomada por uma série de sentimentos ao ler a notícia da página 4 deste Jornal da Cidade. A notícia era: "Chacal é condenado 12 anos após crime". Aquela poderia ter sido mais uma notícia de páginas policiais a me deixar indignada pela morosidade da Justiça brasileira, no entanto, essa notícia tocou a fundo e reviveu dentro de mim uma história jamais esquecida, apenas adormecida!

Conheci Elias, ou Tico, como era também chamado, quando estávamos com mais ou menos 14 anos e possuíamos amigos em comuns. Como convivíamos no mesmo meio durante a adolescência, viramos amigos e embora não fôssemos muito próximos, sempre conversávamos e eu me lembro dele mencionar a mãe e a irmã mais nova com muito carinho, dizendo que sonhava em dar um futuro melhor às duas.

Naquele fatídico 18 de outubro de 2001, eu estava lá e posso garantir que nenhum de nós foi àquele local como o intuito de violência. Éramos muito jovens e vivíamos em função de nossos sonhos, embalados pelo rock?n roll. Éramos pacíficos e gostávamos de diversão! Com o Tico não era diferente! Ele era um garoto trabalhador e cheio de expectativas positivas sobre a vida.

Lembro-me perfeitamente daquela noite, era uma quinta-feira e, como sempre fazíamos, juntamos nossa turma e saímos do Parque Vista Alegre em direção ao Teatro Municipal para mais um evento de bandas de rock, muito comuns naquela época. Logo que chegamos eu e mais duas amigas fomos cumprimentar o Tico que estava muito feliz e sorridente, tinha mudado o visual o que não pôde passar despercebido. Mas em questão de pouquíssimo tempo (na minha cabeça não se passaram nem 30 minutos), uma confusão se formou: pessoas correndo, todos gritando e uma multidão de cerca de 30 pessoas invadiu o teatro portando pedaços de pau e partiu para cima de um grupo certo!

Era o grupo em que o Tico estava e, muito rapidamente, a cena ficou terrível! Aquela imagem jamais vai sair da minha cabeça. Vários garotos e garotas sangrando, enquanto os agressores fugiam, rindo de todos! Quando consegui chegar até a calçada não acreditei no que vi, o Tico sentado, com o olhar perdido. Tentei conversar com ele, mas a garota que estava ao seu lado me informou que ele não estava se lembrando de nada! Em seguida a viatura do Resgate e a polícia chegaram, Tico foi levado ao hospital e, decorridos cerca de 3 dias de angústia, veio a notícia de seu falecimento.

Na ocasião eu e meus amigos ficamos muito abalados, mesmo porque as notícias eram divergentes e chegaram a falar em briga de gangues! Mas aos poucos e história foi sendo desvendada e chegou-se a um culpado, o Chacal, na época lembro-me que ele havia sido preso e não mais ouvi falar do caso.

O tempo passou, eu, que estava no primeiro ano do ensino médio, me formei, fiz faculdade, continuei minha vida, mas em minha mente sempre vinha aquela história, algo certamente traumático em minha adolescência! Ao abrir o jornal e me deparar com a notícia do julgamento e ver a foto da mãe do Tico, vários pensamentos e uma confusão de sensações tomaram conta de mim. Primeiro fiquei feliz, pois enfim o assassino foi condenado e a justiça será feita! Depois fiquei indignada com a demora da justiça para apurar um crime tão bárbaro. Por fim, uma insegurança: e agora? A justiça será realmente feita? Recursos e brechas legais permitirão que a família e os amigos desse garoto que hoje estaria já na fase adulta e possivelmente trabalhando e conquistando seus sonhos veja o culpado pagar por seu ato?

Esperamos que sim! E que essa história fique como uma lição à sociedade, que deve cuidar de seus jovens e esses por sua vez devem ser mais cuidadosos, porque o Tico não volta mais, mas sua vida teve um motivo e devemos fazer sua missão seja cumprida!

Luana Goffi

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