Quioshi Goto |
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Lima Júnior afirma que Promotoria ocupa espaços vazios |
Sem projetos importantes na pauta, prevaleceu, na Câmara Municipal, ontem, o clima de tristeza pelo certeiro afastamento, ainda nesta semana, dos vereadores Fabiano Mariano (PDT), Faria Neto (PMDB) e Fernando Mantovani (PSDB). Além disso, Lima Júnior (PSDB) criticou o enfraquecimento político dos poderes Executivo e Legislativo, ampliando a influência da Justiça e do Ministério Público (MP).
O tucano se referiu às recentes intervenções do promotor da Cidadania, Fernando Masseli Helene, que moveu ação para garantir o atendimento hospitalar a pacientes de Bauru e promoveu reunião que culminou no compromisso da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) em eliminar, de sua estrutura, 21 cargos de livre nomeação.
“Deixamos o MP e o Poder Judiciário fazerem o papel que seria nosso, porque nós, políticos, não tratamos a coisa pública com a seriedade, moralidade e com a eficiência necessárias. De quem é a culpa pelo superpoder que esses órgãos conquistaram?”, pontuou.
Lima lembrou que, há tempos, os setores políticos – especialmente a Câmara Municipal – vem debatendo problemas como a falta de leitos hospitalares e o inchaço causado por posturas fisiológicas na Emdurb.
“Só foi o Ministério Público mostrar a caneta que as vagas surgiram. Mostrou novamente e a vergonha na Emdurb foi resolvida”, afirmou Lima.
Ao JC, o vereador ironizou recentes declarações do presidente do órgão, Nico Mondelli, que alegava a necessidade da manutenção dos cargos comissionados para garantir o bom funcionamento da empresa municipal. “O que mudou tão rapidamente?”, questionou.
Cassação
Foi divulgada, ontem, no Mural Eletrônico no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), a decisão do desembargador Mathias Coltro que negou o embargo de declaração impetrado pela defesa dos três vereadores que tiveram seus mandatos cassados.
O despacho será publicado hoje em Diário Oficial e a expectativa é de que a Câmara Municipal já seja notificada para dar posse aos suplentes Miltinho Sardin (PP), Artemio Caetano (PMDB) e José Roberto Segalla (DEM).
Em razão disso, o clima foi de bastante agitação nos bastidores. Além disso, vários vereadores, como Lima Júnior (PSDB), Roberval Sakai (PP), Raul Gonçalves Paula (PV) e Fábio Manfrinato (PR), manifestaram, na tribuna, desagravo à decisão da Justiça Eleitoral.
O tucano foi o mais enfático ao dizer que, daqui a pouco, os políticos sequer poderão pedir voto à população. “Eleição se ganha na urna e não no tapetão”, bradou.
O TRE cassou os mandatos dos três parlamentares pelo entendimento de que receberam colaboração de entidade religiosa, em razão da publicação e distribuição do material intitulado “Voto Responsável - Informativo dos candidatos católicos referendados por Paróquias da Diocese de Bauru - Setembro/Outubro de 2012”, jornal distribuído pela Diocese de Bauru em 26 paróquias.
Mantovani e Faria estavam bastante abatidos durante a sessão de ontem. Mariano, em seu discurso, afirmou que os advogados de defesa já encontraram jurisprudências favoráveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “São casos idênticos que nos dão segurança de que vamos permanecer no mandato”.
Após a rejeição do embargo, a defesa dos parlamentares deve ingressar com recurso especial ao TSE. Além disso, os parlamentares tentarão ficar no cargo enquanto o caso não é julgado em última instância por meio de uma ação cautelar.
‘Hermanos cubanos’
O programa “Mais Médicos” foi alvo de debates durante a sessão da Câmara Municipal de ontem. Lima Júnior (PSDB) afirmou que o ministro Alexandre Padilha, a quem chamou ironicamente de rei, reativou a escravidão no País ao trazer médicos cubanos.
O presidente Sandro Bussola (PT() rebateu, mostrando reportagem publicada em 1999, pela revista Veja. O texto comemora a vinda de médicos cubanos ao País, por iniciativa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) e pelo então ministro da Saúde, José Serra.
A saúde municipal também foi discutida. Bussola e Lima criticaram possível retaliação de médicos do Pronto Atendimento Infantil (PAI), que teria reduzido suas jornadas após a instauração de sindicância para investigar denúncias do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC).
Raul Gonçalves de Paula (PV), porém, garantiu que não foi este o problema que causou espera de até sete horas por atendimento na quinta-feira da semana passada. Segundo ele, faltam profissionais.
Atualmente, 19 médicos se revezam no PAI. Há seis anos, este número era de 40. A maioria dos profissionais migrou para a iniciativa privada por conta de melhores condições de trabalho e maior remuneração.
