Polícia

Brigas e trânsito deixam mais feridos

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Por ciúme, uma jovem, de 21 anos, foi agredida pelos seus quatro irmãos ao chegar em casa, no Jardim Vitória. Já no Terra Branca, um motociclista, de 19 anos, ficou ferido após um carro bater contra ele. Duas ocorrências registradas no fim de semana e que ilustram tendência preocupante em Bauru: acidentes de trânsito e brigas deixaram 370 feridos a mais neste ano. No geral, porém, a criminalidade caiu.

Os dados divulgados ontem pela Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) são referentes ao período compreendido entre janeiro e julho.

Em 2013, Bauru teve 1.528 ocorrências com feridos em acidentes de trânsito. O número é 16,7% maior do que o registrado nos sete primeiros meses do ano passado, quando foram 1.309. 

A estatística oficial ainda aponta que também cresceu a quantidade de lesões corporais dolosas. De janeiro a julho de 2012, foram 1.262 registros de pessoas feridas em brigas. Em 2013, contudo, o número foi 1.413 feridos, o que representa um aumento de aproximadamente 12%.

Para a polícia, os dois números expressam uma realidade preocupante. Sobre o trânsito, a principal causa seria a já conhecida imprudência. “Nela, podemos falar tanto dos abusos de velocidade quanto da falta de atenção de pedestres”, aponta o oficial de relações públicas do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), capitão Alan Terra.

Outros dois ingredientes para o aumento de feridos no trânsito, de acordo com o oficial, são o próprio acréscimo anual da frota e a evolução da tecnologia, deixando “os veículos mais potentes”.

“Os motoristas que possuem carros mais velozes acabam, geralmente, se envolvendo em acidentes mais graves. Outro fator é que, por conta de mecanismos de segurança, como airbags, as pessoas se sentem mais protegidas e abusam mais”, completa o capitão.

Já em relação aos feridos em brigas, é inegável que os “crimes de intolerância” estão aumentando. Em março deste ano, o JC fez ampla reportagem sobre o tema. Na ocasião, tanto as polícias quanto especialistas em psicoterapia apontaram que o descontrole emocional do cotidiano seria o principal “vilão”.

“É algo que estamos percebendo. Antes, havia uma ocorrência de desentendimento e o policial conseguia conversar e acalmar os ânimos. Hoje, vemos que, em vários casos, ele precisa ir até o local duas ou três vezes”, aponta Alan Terra.

O oficial explica que o papel do policiamento é tentar evitar que uma discussão se transforme em algo maior, como a própria lesão corporal ou o homicídio. “Porém, temos reparado que muitas tragédias ocorrem por conta dessa falta de tolerância. Muitos assassinatos começam dentro de casa mesmo”, finaliza.

Apesar do crescimento das lesões corporais, a quantidade de tentativas de homicídio caiu em uma ocorrência. Foram 24 em 2013 contra 25 nos sete primeiros meses de 2012.

Menos assassinatos

Outro índice que também apresentou leve redução foram os homicídios consumados. Os dados da SSP-SP mostram que, de janeiro a julho deste ano, foram 22 assassinatos em Bauru. No mesmo período do ano passado, a cidade já contabilizava 24 casos nesse período.

“Não é algo que tem uma explicação. Porém, um fator que sempre auxilia é tirar de circulação armas de fogo e armas brancas das ruas”, aponta Alan Terra.

Um apontamento que pode influenciar na queda de homicídios é a intensificação na “quebra” do tráfico de drogas. A polícia registrou, este ano, 332 ocorrências em relação a este crime. No ano passado, foram 297.

Outro crime grave que assusta bastante a sociedade e apresentou leve redução foram os estupros. De 74 casos em 2012, foram registrados 70 este ano.   


Na região

Os dados apontam que a região também teve números positivos em relação aos homicídios. Com oito assassinatos, foi a menor quantidade de assassinatos para um mês de julho dos últimos quatro anos.

No total, foram 81 homicídios de janeiro a julho, oito a menos do que o ocorrido no mesmo período do ano passado, uma redução de 8,99%.

Embora roubos e furtos tenham aumentado no mês, os roubos de veículos e de cargas caíram em julho na região. Foram dez casos registrados no mês passado, ante 12 no mesmo mês do ano passado, uma redução de 16,67%.

O número de pessoas presas cresceu. Em julho deste ano, foram realizadas 850 prisões. Segundo a SSP-SP, é a melhor produtividade policial para o mês desde 2001.

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