Malavolta Jr. |
|
|
Antiga estrada Bauru-Piratininga é a campeã em reclamações por parte dos produtores |
Erosões, bancos de areia, passagens estreitas e pontes antigas. São variados os problemas que acometem as estradas rurais da cidade e dificultam o escoamento da produção do campo.
Em Bauru, dos 320 quilômetros de estradas de terra existentes nos limites do município, pelo menos metade está comprometida com algum problema de infraestrutura.
A realidade é confirmada pelas secretarias municipais de Obras e Agricultura e Abastecimento (Sagra), que admitem a insuficiência dos atendimentos frente às demandas e o consequente atraso nas recuperações das vias, que em períodos chuvosos sofrem com erosões e, na estiagem, com a formação de bancos de areia.
Assentado há oito anos no Horto Aimorés, o produtor José Mário Rodrigues afirma ter perdido as contas de quantas vezes ficou sem conseguir escoar sua produção de hortaliças e legumes e comercializar as espátulas e colheres feitas de bambu por ele, em um projeto em parceria com a Unesp, por conta da precariedade das estradas de terra.
“Sempre dá problema, os caminhões não conseguem ter acesso. Quando chove é pior ainda, já perdi hortaliças por causa disso. Tem dia que até desisto de vir para a cidade por causa da estrada”, afirma o agricultor. A mesma situação, segundo ele, é dividida com outras 400 famílias moradoras do loteamento. “O governo deveria dar mais atenção para as estradas de terra”, reforça. Na edição de ontem, o JC publicou a carta de um leitor que reclamava sobre a mesma situação.
Recuperação
A estrada rural citada integra o rol das campeãs em reclamações por parte dos produtores às secretarias de Obras e da Agricultura, perdendo apenas para antiga estrada Bauru-Piratininga. Juntas, as pastas recebem uma média de seis reclamações por semana.
As solicitações, contudo, segundo o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, costumam demorar um mês em períodos de estiagem e até três meses em épocas chuvosas.
A demora, conforme Sidnei, resulta do reflexo da demanda de serviços na zona urbana, afinal, o maquinário e a mão de obra utilizados são os mesmos para ambas as localidades.
Na tentativa de dar uma solução imediata ao problema e diminuir o tempo de resposta dos serviços, a Secretaria de Obras montou, há duas semanas, uma equipe com 12 funcionários para atender especificamente os problemas das estradas de terra.
“Nossa expectativa é de atender as solicitações em um período de até uma semana, durante a estiagem”, frisa Sidnei Rodrigues. “A ideia é investir para implantar sistemas de captação de água pluvial e a colocação de piçarras, diminuindo, assim, a necessidade de manutenção. Exatamente como já aconteceu com a estrada no Val de Palmas”, completa.
Outro problema que preocupa os produtores é a negativa da prefeitura em recuperar as chamadas vias secundárias. “Não temos como intervir em ruas de terra abertas pelos próprios moradores”, fecha questão Rodrigues.
R$ 4 milhões
Sobre a situação das estradas de terra, o secretário Chico Maia, titular da Sagra, confirmou que os problemas e os atrasos existem, mas destacou o empenho da secretaria. Segundo ele, nos últimos dois meses, dez projetos foram encaminhados para aprovação no Ministério da Agricultura, que podem resultar ao município a liberação de até R$ 4 milhões para as melhorias de estradas rurais na cidade.
“A Secretaria de Obras tem nos atendido, mas sabemos que não dá para esperar que resolvam tudo. Por isso, estamos apostando em projetos para tentar montar nossa própria equipe já no ano que vem”, comenta Chico.
A intenção é que a Sagra assuma, em um futuro próximo, a totalidade dos serviços voltados ao campo.
Cobrança
O delegado federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Reinaldo Prates, esteve em Bauru, ontem de manhã, na etapa estadual da 2ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, realizada na FIB, e falou sobre o problema.
“É fundamental ter estradas de terra suficientes e de boa qualidade para que se tenha o escoamento da produção do campo. A falta ou precariedade delas compromete a acessibilidade, o escoamento da produção, o planejamento familiar e a educação das crianças e adultos moradores do campo”, afirma.
Conforme ele, o governo tem apoiado e investido em maquinários e pessoal apenas em cidades com menos de 50 mil habitantes. “Consideramos Bauru autossuficiente para resolver essa situação, mas estamos em diálogo para que parcerias sejam firmadas”, ressalta.
O evento, que teve início na última segunda-feira, se encerra hoje à tarde com a eleição de 60 delegados para a etapa nacional, que acontecerá de 14 a 18 de outubro, em Brasília.
O propósito do encontro é fomentar discussões e apresentar políticas públicas que beneficiem a população do campo. A conferência culminará com a construção do Plano Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário.
