Foi em uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que uma vítima de estupro saiu, ontem, da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru. Ao ficar frente a frente com seu algoz e reconhecê-lo, a mulher, de 47 anos, desmaiou.
Ela foi estuprada no último dia 20, na casa de sua filha, no bairro Pousada da Esperança. O suspeito, Valdécio Dantas da Silva, 38 anos, nega a acusação. Reeducando do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) 2, ele cumpre pena por latrocínio em regime semiaberto, mas, ao ser reconhecido por novo crime, perdeu o direito de sair durante o dia para trabalhar.
Ainda ontem, a delegada Priscila Bianchini, da CPJ, pediu a prisão preventiva do acusado. Ele foi indiciado por roubo e estupro e deverá ser encaminhado para outra unidade penitenciária da região. Anteontem, a vítima já havia feito o reconhecimento por fotografia e, ontem, confirmou a autoria do crime pessoalmente, em sala própria da CPJ.
“Nas duas ocasiões, ela deu 100% de certeza”, frisa a delegada. Valdécio cometeu crime de latrocínio em 2005, em São Paulo e, condenado, permaneceu preso por apenas três anos em regime fechado. Transferido para o CPP 2 de Bauru, passou a realizar entregas para uma empresa de materiais de construção.
Sempre que saía para o trabalho, no entanto, era monitorado por uma tornozeleira eletrônica. O equipamento apontou que, no dia do estupro, ele esteve na rua ao lado do endereço onde o crime ocorreu e em horário aproximado ao que a vítima disse ter sido abordada.
“A tornozeleira também demonstrou que ele se movimentou por um bom trecho à velocidade de seis quilômetros por hora, ou seja, a pé. O problema é que ele trabalha fazendo entregas em um caminhão e estava em horário de serviço”, acrescenta Priscila.
Ação contra o Estado
Naquele horário, a vítima estava na casa da filha para cuidar da neta, de 8 anos de idade. Ela varria o quintal da residência, que fica no bairro Pousada da Esperança, quando o homem pulou o muro e a imobilizou, envolvendo seu pescoço com uma corda.
A violência sexual teria ocorrido após o agressor exigir dinheiro e receber a quantia de apenas R$ 10,00. Irritado, ele ainda teria ameaçado a neta da mulher, que dormia em um dos quartos do imóvel.
Acionada, a Polícia Civil forneceu imagens de criminosos cadastrados em seu banco de dados que possuíam características físicas semelhantes às descritas pela vítima. Após o reconhecimento por foto, a confirmação durante contato pessoal foi dada ontem pela mulher, que precisou ser socorrida pelo Samu e medicada no Pronto-Socorro Central (PSC).
A filha da vítima, de 29 anos, informou que pretende acionar o Estado judicialmente, pelo fato de sua mãe ter sido estuprada por um homem condenado por latrocínio, que permaneceu preso por apenas três anos em regime fechado.
“Ele não tinha que estar na rua. A vítima foi a minha mãe, mas poderia ter sido qualquer outra pessoa da cidade. Ele poderia ter matado minha mãe e minha filha (neta da vítima que também estava na casa), assim como já matou outra pessoa”, lamenta.
De acordo com ela, a mãe ainda está chocada com toda a violência sofrida e tem resistido ao trauma com a ajuda de calmantes. “Ela ficou toda machucada. Foi terrível. Ela só consegue ficar um pouco melhor quando se apega à ideia de que aquilo tudo não aconteceu comigo ou com a neta dela”, lamenta.