Polícia

Suspeito de matar família, ex-cunhado de estilista viaja ao Recife

Por Diana Brito | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Apontado como suspeito de envolvimento no assassinato da mãe e da sobrinha do estilista Beto Neves, dono da grife Complexo B, e do namorado da jovem, o advogado Michel Salim, ex-cunhado do designer de moda, viajou para Recife, na manhã de hoje. Ele deixou o Estado do Rio de Janeiro sem prestar depoimento à polícia.

Os corpos das vítimas foram enterrados na tarde de hoje, no cemitério de Maruí, em São Gonçalo, região metropolitana.

Segundo investigadores da Delegacia de Homicídios de Niterói, sete pessoas prestaram depoimentos sobre o caso, entre elas o irmão de Salim, que disse que o advogado já estava em Recife no momento do crime. Um porteiro de Salim também disse à polícia que entregou pessoalmente a intimação (para depor) ao ex-cunhado do estilista - na tarde de ontem.

Uma petição, entregue pela defesa de Salim na delegacia, mostra que o advogado já havia planejado a viagem para Recife, antes do crime, mas também comprova que ele embarcou - em supostas férias - na manhã de hoje.

A previsão é que ele retorne na próxima semana e compareça à delegacia na próxima segunda-feira, para prestar esclarecimentos.

Investigadores disseram à reportagem que cerca de 40 denúncias de agressão e ameaças foram registradas na 79ª DP (Jurujuba) e 76ª DP (Niterói), contra Salim, tanto pela ex-mulher Rosilene Neves como pela enteada, morta ontem. A investigação aponta que o advogado tinha um "ciúme possessivo pela ex-mulher". Eles se conheciam desde 2004 e foram casados.

As vítimas - Linete Loback Neves, 70 anos, Manoela Neves, 22 anos, e Rafani Ribeiro, 23 anos - foram encontradas mortas na cama da mãe de Neves em São Gonçalo. Peritos da Polícia Civil disseram que foram efetuados cinco disparos de um revólver calibre 38 contra elas.

Cada uma foi atingida por um tiro na cabeça. Os outros dois disparos acertaram a parede. Os três ainda tinham marcas de espancamento. Silenciadores podem ter sido usados pelos criminosos já que nenhum barulho de tiro foi ouvido pela vizinhança.

A polícia também trabalha com a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte). Amigos da família disseram, no entanto, que apenas os celulares foram levados.

O crime teria acontecido entre 8h30 e 10h de ontem. Vizinhos disseram ter visto um jovem pulando o muro da casa no horário, o que levou a polícia a suspeitar de assalto. Um carro preto suspeito, cujo modelo não foi identificado, foi visto parado em frente a residência.

O estilista chegou a falar com a sobrinha por telefone por volta das 8h30. Ela havia dito que estava terminando de se arrumar para encontrá-lo na confecção em São Cristóvão, zona norte. Manoela Neves era sócia de Beto na grife e iria inaugurar uma nova loja da marca ontem, na zona sul carioca.

Como ela demorava a chegar, o estilista voltou a ligar, mas o telefone estava desligado. Preocupado, Neves foi à casa da mãe. Por volta das 11h30, encontrou os corpos.

A polícia pediu hoje a quebra de sigilo telefônico de todos os envolvidos no caso. Imagens de câmeras dos arredores da casa da mãe do estilista também podem ajudar na investigação.

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