O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse ontem que tem informações de várias fontes provando que o regime de Bashar al-Assad é o responsável pelo uso de armas químicas na Síria. Para ele, o uso das armas é “inaceitável e não pode ficar sem resposta”.
As declarações da aliança ocidental acontecem após Estados Unidos, Reino Unido e França, que são membros da união, anunciarem que estão prontos para uma ação armada na Síria. A ação seria uma represália a um suposto ataque químico na periferia de Damasco, na semana passada.
“Esta é uma clara violação das normas e práticas internacionais de longa data. Os responsáveis devem prestar contas”, disse ele em comunicado, disse o chefe da Otan, sem comentar sobre que tipo de resposta deve ser dado.
Assim como os Estados Unidos, principal financiador da entidade, a Otan já havia dito que o uso das armas químicas era um limite no conflito que, se ultrapassado, abriria caminho à ação armada. A aliança ocidental já está envolvida na guerra no Afeganistão e foi responsável pela intervenção na Líbia, em 2011.
Para o Brasil, ação militar só com o apoio da ONU
O ministro Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores) afirmou ontem que o Brasil somente apoiará uma ação armada na Síria se a iniciativa tiver apoio das Nações Unidas.
“Para nós, o uso da força nas relações internacionais é o último recurso, e ele tem que ser feito apenas em casos de defesa (...) ou autorizado especificamente nos termos de uma resolução do conselho de segurança”, disse o novo chanceler brasileiro em entrevista à imprensa.
Figueiredo disse ainda que o uso de armas químicas “é intolerável, não é aceitável”, mas demonstrou cautela sobre quem teria usado esse recurso. “Ainda não há resultados dessa investigação. (...) Preferimos esperar que as Nações Unidas determinem claramente, já que eles estão lá exatamente para isso.”
Rússia e Irã se opõem à intervenção militar
O presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente iraniano, Hassan Rouhani, concordaram que o uso de armas químicas é inaceitável e sinalizaram sua oposição compartilhada a uma intervenção militar na guerra da Síria, informou o Kremlin depois que os líderes conversaram por telefone.
“Os dois lados consideram o uso de armas químicas por qualquer um intolerável”, disse o serviço de imprensa de Putin em um comunicado sobre a conversa de quarta-feira, iniciada pelo Irã.
“Levando em conta os apelos que estão sendo feitos por uma intervenção militar externa no conflito sírio, eles também destacaram a necessidade de buscar um caminho para uma resolução através de meios exclusivamente políticos e diplomáticos”, acrescentou.
Reino Unido quer o aval da ONU para decisão
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou que o Reino Unido pedirá aval do Conselho de Segurança da ONU a uma intervenção militar na Síria.
A medida é divulgada em meio aos anúncios de que os britânicos, os franceses e os americanos estariam prontos para uma intervenção militar na Síria, em represália contra o uso de armas químicas.
De acordo com o premiê, o texto “condena o ataque com armas químicas de al-Assad e autoriza as medidas necessárias para proteger civis”. Na prática, isso daria respaldo a um ataque aéreo ao país nos próximos dias.
Ao anunciar a consulta à ONU, Cameron se antecipa à oposição trabalhista, que estava disposta a cobrar o aval da entidade amanhã, durante sessão extraordinária no Parlamento que discutirá a crise na Síria.
Obama ainda não decidiu sobre ataque à Síria
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem que não tomou uma decisão sobre realizar um ataque militar contra a Síria, mas afirmou que o objetivo de uma ação limitada seria de impedir o uso futuro de armas químicas.
“Se estamos falando de maneira clara e decisiva, mas muito limitada, enviamos um tiro de alerta dizendo ‘parem de fazer isso’, isso pode ter um impacto positivo em nossa segurança nacional no longo prazo”, disse ele à emissora Public Broadcasting Service em entrevista televisionada. O presidente afirmou que as autoridades norte-americanas acreditam que o governo sírio é responsável pelo ataque na semana passada nos subúrbios de Damasco que matou centenas de pessoas e não acreditam que a oposição síria tenha armas químicas.