O ministro Luís Roberto Barroso, novato no STF (Supremo Tribunal Federal), fez uma dura crítica aos políticos e ao sistema eleitoral nesta quarta-feira (28), mas "lamentou" a condenação de Jose Genoino, ex-presidente do PT, pela participação no mensalão.
Após as críticas, Barroso --nomeado pela presidente Dilma Rousseff-- disse ainda que os políticos já não dão mais atenção às demandas populares como aconteceu durante a onda de protestos. "Pior que tudo: o povo saiu da rua e já não se fala mais em mudanças", disse.
Barroso, que não participou da primeira fase do julgamento, "lamentou" ter de condenar Genoino, que no passado combateu a Ditadura Militar.
"Pessoalmente, lamento condenar um homem que participou da resistência à ditadura, no tempo que isso exigia admiração. Lamento condenar alguém que participou da reconstrução democrática do país. Lamento, sobretudo, condenar um home que , segundo todas as fontes confiáveis, leva uma vida modesta e que jamais lucrou financeiramente com a politica", disse o ministro.
Logo após "lamentar" a condenação de Genoino, Barroso foi rebatido pelos ministros Joaquim Barbosa e Carmen Lúcia. "Ao julgar Jose Genoino, fiz ressalva que julgamos fatos, infelizes, não histórias, que são dignas", disse Carmen Lúcia.
Joaquim Barbosa afirmou que é "irrelevante" o destino dado ao dinheiro recebido no mensalão.
Ex-presidente do PT, José Genoino foi condenado a 6 anos e 11 meses de prisão, pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha.
Para Barroso, o sistema político brasileiro "induz" a criminalidade. O ministro afirmou que parlamentares transformaram o Congresso num "balcão de negócios" para bancar as campanhas, enquanto lideranças do governo "compraram" o interesse público. "Essa é a dura realidade: um modelo político que o interesse público frequentemente precisa ser comprado", concluiu.
Para o ministro, a corrupção vai persistir no país enquanto o sistema político "bipartidário" não se alterar. "Se não se alterarem, essa logica da compra e venda irá continuar. Como água torrencial que corre, a corrupção encontrará seus caminhos" disse.
E elencou causas dos "desvios": "loteamento de cargos públicos drenarem recursos para eleições; emendas orçamentárias que beneficiam empresas de fachada que repassam verba para o bolso ou partido; licitações superfaturadas, subfaturas ou cartelizadas; venda de penduricalhos em medidas provisórias para atender a interesses que não se saem bem no debate público".
Barroso disse mais: a política no Brasil é inverso de uma civilização. "O papel do processo civilizatório é reprimir o que há de ruim e potencializar o bem. O sistema politico brasileiro faz o contrário: reprime o bem e potencializa o mal. Precisamos não de uma agenda política, mas de uma agenda patriótica para desfazer essa armadilha histórica que nos manterá atrasado, girando em círculos, incapazes de dar um salto moral para fora do pântano", afirmou.