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Novo CD de Sérgio Reis, “Questão de Tempo” mantém aposta no bom humor que caracteriza o cantor, mas também quer conquistar nova geração |
“Minha muié é feia, é feia pra dana/Eu me casei com ela, mas eu posso explicar/No dia do casório eu bebi feito um gambá/Casei porque eu bebi agora eu tenho que aguentar”. “Casei porque bebi” é uma das apostas do novo trabalho de Sérgio Reis, que depois de ficar dez anos sem gravar um álbum de estúdio ele lança “Questão de Tempo”. A faixa-título é uma regravação de Moacyr Franco, que também participa do CD.
O disco tem a graça e humor que marcaram a carreira do cantor, como na música “Morena Faz de Conta” e a pegada alto-astral do “molhar o bico”, como em “Boteco da Esquina”. Mas a temática recorrente, claro, é a vida no campo bem retratada em “Choro de Saudade”, mas que também enaltece a fé, como em “Fã de Jesus”. Confira a entrevista com o artista concedida ao JC Cultura:
JC: Por que demorou dez anos para gravar um novo disco em estúdio?
Sérgio: Antigamente a gente costumava gravar um por ano, era uma coisa meio “máquina”, mas chega uma hora que você tem que fazer uma seleção mais caprichada nos seus discos, porque o movimento sertanejo hoje é outro, a forma de ouvir é outra, o gosto é outro. Embora você tenha aqueles ouvintes antigos que já curtem você há muitos anos, você quer conquistar também a nova geração. Antes do “Questão de Tempo”, o último disco que havia lançado foi o CD e DVD “Amizade Sincera”, em parceria com o Renato Teixeira.
JC: Quais características o novo CD mantém em relação aos demais? O humor é uma delas?
Sérgio: Eu coloquei muito humor nas letras, pois são músicas mais dançantes. Eu queria fazer um CD mais “pra cima”. Não queria uma coisa muito parada.
JC: Quais músicas destaca do novo CD e por quais motivos?
Sérgio: Tem aquela música que lembra o cara que vai pra boate, “enche a cara” e vê a mulherada toda maquiada. E lá na boate tem muita fumaça e aí, quando ele vai ver, ele acorda com uma mulher que não era bem o que ele imaginava! Essa é canção “Casei porque bebi”, tem muito humor (risos).
JC: E a participação de Moacyr Franco no CD...
Sérgio: Tem uma música do Moacyr que é muito bonita, que leva o mesmo nome do disco – “Questão de Tempo”. E então eu pensei: “Poxa, seria muito bom se o Moacyr pudesse tocar comigo”. Ele é meu amigo e topou o convite de cantar junto para a música do CD. Nessa forma de parceria é a primeira vez que estamos juntos e o ‘dueto’ está dando certo, as pessoas têm gostado. Agora recebemos convites para nos apresentar juntos também.
JC: Você já teve graves problemas de saúde. Como está atualmente? Ficou com alguma sequela? Esses problemas mudaram algum hábito de vida?
Sérgio: Fiquei com sequela sim, fiquei mais louco que eu já sou! (risos). Operei o cérebro e não fiquei com sequela nenhuma, mas depois que cai de um palco de mais de três metros de altura, me arrebentei todo, trinquei vértebras, quebrei costelas, perfurei o pulmão. Quer dizer, fiquei 90 dias parado em casa. E é aí que você aprende uma coisa: é mais um aviso de Deus, dizendo – “cara, maneira, fique calmo, tenha calma no trabalho!”. Felizmente já estou recuperado e depois de passar por isso a gente passa a encarar a vida de outro jeito.
JC: Quais são as músicas, estilos e cantores que ele admira atualmente? E o que gosta de ouvir em casa?
Sérgio: Gosto de ouvir de tudo. Eu não gosto de cantores, eu gosto da música boa. Se a música é boa, você ouve. Eu gosto de ouvir as histórias das músicas. Mas se for citar nomes, gosto de Cézar e Paulinho – que tem umas letras engraçadas – e Di Paula e Paulino, dupla que gosto muito.
‘Sertanejo raiz nunca morre’
Com 54 anos de carreira e 104 discos gravados - que ele conta desde a época dos LPs em 78 rotações -, Sérgio Reis acredita na música de raiz. “O sertanejo de raiz nunca vai morrer. Tem sucesso na rádio, como o Gino & Geno, por exemplo, que acabou de emplacar a engraçada “Mô Deuso”, diz Sérgio Reis, citando a dupla mineira que tem 40 anos.
Entre os amigos da nova geração, o cantor cita Michel Teló, que era seu fã e até tirou foto com ele quando criança, e Edson & Hudson, cujos pais tinham um circo, onde ele atuou. “Há excelentes cantores dessa vertente: Michel Teló, Luan Santana, Gustavo Lima... e sem falar das duplas. Cantam muito, é uma beleza, é gostoso de ouvir”, diz Reis, que dá recado aos mais jovens: “É preciso saber lidar com a fama e dar atenção aos fãs”.
Dueto com Moacyr Franco
A música que dá nome ao novo disco de Sérgio Reis, “Questão de Tempo”, é uma regravação de Moacyr Franco, que faz uma participação especial na faixa. “Eu sempre achei essa música linda. O Moacyr é um poeta e um grande cantor”, diz Sérgio Reis. “O meu produtor lembrou desta canção, e, na hora, liguei para Moacyr fazendo o convite”, lembra Sérgio.
Sérgio Reis comemora o sucesso do dueto, que já está nas rádios. “Encontrei com o Moacyr, e ele está muito feliz. Ele disse que a música deu um novo gás para ele, que está participando de programas de rádio e TV”, diz o cantor. Eles ainda não sabem se farão shows juntos, mas Moacyr já escalou Sérgio Reis a participar de seu primeiro DVD. “Eu já conversei com ele sobre fazermos um trabalho dedicado à guarânia”, conta Moacyr.
Faixa a faixa de ‘Questão de Tempo’
Morena Faz de Conta
O disco começa animado, com música sobre uma desejada morena, que surge na vida de rapaz
Boteco de Esquina
A divertida letra narra um dia movido a cachaça
Tetinha
Regravação da dupla Osvaldir & Carlos Magrão, fala de políticos corruptos que “mamam nas tetas” do governo
Choro de Saudade
Sérgio Reis regravou a música de Delmiro Barros em homenagem ao compositor, que é seu amigo
Fã de Jesus
“A música conta a história de João, que sempre ia à igreja e, quando adoeceu, recebeu a visita de Jesus”, explica Sérgio Reis
Matuto
Fala de um caipira que não se adapta à vida de cidade grande
Fazenda Paraíso
Composição de Victor, da dupla Victor & Leo, sobre a boa sensação de chegar à fazenda
Meu Lugar
Já gravada por Sérgio Reis com a cantora Joanna, a música ganha nova versão
Casei Porque Bebi
Acompanhado por uma sanfona animada, Sérgio Reis conta a história de um sujeito que casou com uma mulher feia
Questão de Tempo
Faixa-título, a música é regravação de música de Moacyr Franco, com participação dele
A Mala
Divertida, conta sobre a rotina de brigas de um casal que só faz e desfaz a mala
