"Quem cala, consente", diz o ditado popular.
Nem sempre... Até o momento estive calada, não por concordar com a situação, mas por prudência. Ao ver desenrolar o caso dos vereadores católicos, tendo seus nomes envolvidos num processo de cassação dos seus mandatos, não quis me pronunciar por alguns motivos:
- estou como presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil ? Diocesano de Bauru (CNLB-DB), porém estava licenciada durante período eleitoral de 2012;
- fui candidata a vereadora e também usei do informativo promovido por esse organismo para divulgação de minha candidatura;
- sou suplente do partido PDT, mesmo do vereador Fabiano Mariano, porém tive minhas contas aprovadas sem ressalvas;
- nem eu, nem o presidente em exercício na época, nem o Conselho dos Leigos, foram chamados a dar nenhuma explicação à justiça eleitoral;
- tinha a preocupação de criar algum fato novo que pudesse atrapalhar o andamento dos processos;
Mas agora é impossível calar-me. Venho a público dizer de minha indignação como cidadã, que assisti a tantos desmandos e descasos sem as devidas punições; de minha indignação perante a lei, que usa dois pesos para a mesma medida, pois o que difere os 5 candidatos com contas reprovadas dos demais que compunham o mesmo informativo?
Sinto-me inconformada, como católica praticante e conhecedora dos documentos da Igreja, que nos orientam e estimulam a participar da vida pública, como forma de dedicação ao próximo na busca pelo bem comum.
Por acreditar que a Fé sem obras é morta, e que através da política podemos e devemos praticar as ações de nossa Fé, sinto-me entristecida.
Indignada, inconformada e entristecida, porém não desanimada a continuar na Fé, na Esperança e na Caridade, a procurar as motivações para buscar na política a solução para os problemas sociais.
Fátima Ferre