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Conflito na Síria: gás sarin foi usado, dizem EUA


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Jason Reed /Reuters

John Kerry disse ontem que testes provaram o uso do gás venoso durante o ataque

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse ontem que testes provaram o uso do gás venoso sarin em ataque na Síria. Kerry fez a revelação em uma série de entrevistas televisivas um dia após o presidente Barack Obama atrasar uma iminente ação militar na Síria para buscar o apoio do Congresso norte-americano - uma decisão que adia qualquer ataque por pelo menos 9 dias.

“Isso agora está completamente nas mãos do Congresso”, disse o secretário ao canal CNN, acrescentando que tinha confiança de que a instituição “vai fazer o que é certo, pois eles entendem os riscos”. Kerry não quis dizer se Obama iria em frente ou não com a ação militar caso o Congresso rejeite o pedido do presidente. Mas repetindo os comentário de Obama no sábado, ele insistiu que o presidente tem o direito de agir por conta própria.

O presidente norte-americano está fazendo uma aposta ao frear a ação militar, a qual já deixou claro ser necessária para manter a credibilidade dos EUA sobre a proteção de uma “linha vermelha” para o uso de armas químicas, limite que o presidente norte-americano diz ter sido cruzado pelas forças de Bashar al-Assad.

A medida, no entanto, reflete um desejo de dividir com o Congresso qualquer responsabilidade sobre a intervenção na guerra civil na Síria em um momento no qual os norte-americanos se mostram cansados de guerras como no Iraque e Afeganistão.

Enquanto legisladores ainda devem ser informados pela equipe de segurança nacional de Obama sobre a análise do governo para a ação militar, Kerry usou uma série de aparições em canais de televisão para fornecer mais evidências que corroboram as acusações contra o governo sírio.

“Eu posso compartilhar com vocês que as amostras de sangue e cabelo que chegam até nós através de uma cadeia de custódia adequada, da região leste de Damasco, dos primeiros socorristas, testaram positivo para traços de sarin”, disse Kerry à CNN.

Foi a primeira vez que o governo Obama identificou o tipo de produto químico que foi utilizado no ataque a uma área controlada pelos rebeldes em 21 de agosto, e que segundo as agências de inteligência dos EUA matou mais de 1.400 pessoas, muitas delas crianças.

 

Apoio do Congresso

O apoio do Congresso não está, de maneira nenhuma, assegurado, com vários democratas e republicanos desconfortáveis sobre intervir em uma guerra civil distante na qual mais de 100 mil pessoas foram mortas nos últimos 2 anos e meio.

A maior parte dos legisladores comemoraram a decisão de Barack Obama, mas não pareciam com pressa para voltar a Washington antes do fim de seu recesso de verão, que vai até 9 de setembro

Visando “preparar o terreno” para o que se espera que seja um acalourado debate parlamentar, Kerry evocou repetidas vezes a segurança de Israel como uma das razões cruciais de se autorizar uma resposta militar na Síria. Os legisladores de ambos partidos políticos reconhecem o como é importante para o país ser visto como defensor de Israel, cuja segurança geralmente é uma importante questão de política externa em campanhas eleitorais domésticas.

O presidente republicano do comitê de inteligência da Câmara dos Deputados, Mike Rogers, disse à CNN: “Acho que existem alguns desafios reais. Eu acho que no final o Congresso estará à altura da ocasião. Esta é uma questão de segurança nacional.”

O senador republicano Rand Paul, do Kentucky, falando à NBC, revelou uma visão mais cética. Embora tenha dito que estava “orgulhoso” de Obama pelo presidente ter buscado a aprovação do Congresso, Paul disse: “É no mínimo 50-50 se a Câmara vai votar contra o envolvimento na guerra da Síria.”

O presidente dos EUA, em um discurso feito na Casa Branca, disse que havia autorizado o uso de força militar para punir a Síria por conta de um ataque com armas químicas realizado em 21 de agosto.

Navios da Marinha estão na região aguardando ordens para lançar mísseis, e os inspetores da ONU deixaram a Síria depois de reunir provas sobre o suposto ataque.


Arábia Saudita diz apoiar ação dos EUA se o povo sírio quiser

A Arábia Saudita afirmou ontem que é hora de o mundo fazer todo o possível para evitar a agressão contra o povo sírio e disse apoiar um ataque dos EUA contra o governo da Síria, se o povo sírio quiser.

O chanceler saudita Saud al-Faisal fez seus comentários no momento em que os Estados Unidos consideram um ataque contra o governo sírio, culpando-o por um ataque com gás químico que matou centenas de civis.

“Apelamos à comunidade internacional, com todo o seu poder para impedir esta agressão contra o povo sírio”, disse Faisal, no Cairo, onde foi participar de uma reunião de ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe para discutir a Síria.

Sobre a possibilidade de um ataque dos EUA, ele disse: “Estamos solidários com a vontade do povo sírio. Eles conhecem melhor os seus interesses, então o que eles aceitarem, nós aceitamos, e o que eles recusarem, nós recusamos.”

A reunião deve acusar formalmente Assad pelo ataque com gás.

 

Papa pede orações

O papa Francisco convidou ontem as pessoas de todas as religiões para se juntarem a ele e aos católicos do mundo em um dia de oração e jejum em 7 de setembro, em preces visando o fim do conflito na Síria.

Na Praça São Pedro, o papa Francisco emitiu um longo apelo pela paz na Síria e em todo o Oriente Médio, dizendo que Deus e a história seriam os juízes de quem promove a violência ou impede a paz.


Presidente Assad afirma estar pronto para qualquer tipo de intervenção

O presidente sírio, Bashar al-Assad, disse ontem que seu Exército pode aguentar qualquer ataque, após o recuo do presidente americano, Barack Obama, que adiou a perspectiva de uma intervenção ao pedir aval do Congresso.

“A Síria é capaz de enfrentar qualquer agressão externa, assim como enfrenta todos os dias a agressão interna representada pelos grupos terroristas”, afirmou Assad.

“Os grandes perdedores nesta aventura são os Estados Unidos e seus agentes na região, em primeiro lugar a entidade sionista”, afirmou Assad, referindo-se a Israel.

Em Washington, o secretário de Estado, John Kerry, afirmou que os Estados Unidos tinham recebido e analisado amostras que provam a utilização de gás sarin no ataque de 21 de agosto em Damasco, atribuído pelo governo americano ao regime de Damasco.

 

Hesitação

A declaração do presidente dos EUA, Barack Obama, sobre a busca da aprovação do Congresso norte-americano para um ataque militar contra a Síria está cheia de hesitação e confusão, disse o vice-ministro das Relações Exteriores da Síria, Faisal Mekdad, neste domingo.

“Está claro que há uma sensação de hesitação e decepção no que foi dito pelo presidente Barack Obama ontem. E também está claro que há um sentimento de confusão também”, disse ele a repórteres em Damasco.

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