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Dilma cobra explicação dos EUA

Agências
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Dizendo-se “inconformado” e “indignado” com as informações de que a presidente Dilma Rousseff foi alvo direto de espionagem americana, o governo brasileiro cobrou, ontem, uma resposta formal dos EUA sobre o caso.

A presidente Dilma Rousseff analisa pelo menos três reações contra o governo dos Estados Unidos:

1) fazer um “forte discurso” contra a NSA (Agência de Segurança Nacional) em setembro, na abertura da Assembleia-Geral da ONU;

2) convocar o embaixador brasileiro em Washington e;

3) até cancelar, em último caso, a viagem oficial aos EUA, prevista para outubro.

Dilma vai decidir de acordo com a resposta que o presidente Barack Obama der ao episódio, revelado pelo “Fantástico”, de que ela foi alvo de espionagem da NSA. A denúncia se baseia em documentos vazados pelo ex-técnico Edward Snowden (veja quadro).

Segundo um assessor, a presidente exige uma “resposta satisfatória” porque não está só “indignada, mas também muito irritada”. Sente-se “enganada” pelo governo norte-americano.

Em reunião, ontem, com o embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, o ministro Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores) solicitou “explicações formais por escrito” a respeito das acusações de monitoramento. Shannon não desfrutou, ontem, da informalidade comum em encontros na sala do chanceler e sequer sentou-se no sofá do gabinete. Da mesa, Figueiredo afirmou em tom mais duro que o de praxe que o Brasil está “irritado”.

O embaixador não deu nenhuma explicação, mas prometeu levar ainda ontem os pedidos do Brasil à Casa Branca. A expectativa é de que os EUA se posicionem ainda nesta semana. “Isso representa uma violação inadmissível e inaceitável da soberania brasileira. Esse tipo de prática é incompatível com a confiança necessária a uma parceria estratégica entre os dois países”, disse Figueiredo em entrevista ao lado do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça).

Os dois trataram do tema em uma reunião emergencial convocada por Dilma. “O tipo de reação (do governo brasileiro) vai depender do tipo de resposta que for dada”, acrescentou o chanceler.


México também foi alvo


O México convocou, ontem, o embaixador dos EUA e exigiu uma “investigação exaustiva” ao condenar “categoricamente” qualquer espionagem por parte de Washington, segundo a secretaria de Relações Exteriores. A medida foi tomada após a denúncia que a NSA interceptou comunicações do presidente mexicano Enrique Peña Nieto, quando era então candidato.


Senado vai instalar CPI para investigar

O Senado deve instalar hoje Comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a espionagem realizada pela NSA (Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos) no Brasil. A comissão foi criada há mais de um mês, mas só deve ser efetivamente instalada depois das denúncias de que a presidente Dilma Rousseff foi alvo direto das investigações da agência americana.

Os senadores marcaram para hoje a instalação da CPI, com a escolha do seu presidente e relator. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) deve ser eleita para presidir os trabalhos da CPI - que terá que investigar se houve, de fato, ações de espionagem sobre o governo e cidadãos brasileiros.

Os senadores também articulam aprovar voto de censura contra o governo dos EUA pelas ações de espionagem da agência americana que teriam atingido a presidente.

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