Foram quatro temporadas sem um único representante do Nordeste nos campeonatos nacionais, entre 2008/09 e 2011/12. Mas aos poucos, o basquetebol da região que concentra quase um terço da população brasileira vai voltando ao cenário, e principalmente, com sede de vitórias e projetos sólidos.
Na temporada 2007/08, a última organizada pela Confederação Brasileira de Basquete (CBB), o FTC, da Bahia, participou do Nacional. Depois, a principal competição de clubes do Brasil passou a ser organizada pela Liga Nacional de Basquete (LNB), com o Novo Basquete Brasil (NBB), que não teve nenhum representante nordestino nas quatro primeiras edições.
Em 2012, com a criação do Basquete Cearense, a região teve pela primeira vez um time no NBB, chegando aos playoffs de oitavas de final, sob o comando do técnico Alberto Bial. Na última semana, a equipe esteve em Bauru durante a disputa de uma das etapas da Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB), onde faz grande campanha, sendo vice-líder. Nos cinco jogos que fez na Panela de Pressão, perdeu apenas para o Paschoalotto/Bauru, no domingo (leia mais ao lado).
“O projeto está indo muito bem. Temos convênios com instituições, tanto em Fortaleza como no interior, com o objetivo de desenvolver o basquete. No adulto conseguimos uma excelente campanha na temporada passada, no NBB, procurando angariar também torcedores. A base já tem um trabalho há vários anos lá, com o Daniel Russo, e boa parte dos jogadores vieram deste trabalho, que somou com a gente”, explica o técnico Espiga, do sub-22 do Basquete Cearense.
Do campo para a quadra
Os quatro clubes do Nordeste estiveram na etapa bauruense da LDB, e apenas o Basquete Cearense está no NBB. Curiosamente, é o único sem vínculo a clubes de futebol. Os outros três (Sport, Náutico e Vitória/BA) são conhecidos, sobretudo, pelas atuações no gramado.
O Sport Recife já vem disputando o Campeonato Brasileiro Feminino de Basquete, sendo o atual campeão. No masculino, a equipe de base vem forte na LDB, brigando pela classificação, e deve disputar a Divisão de Acesso para o NBB em 2014. “Pernambuco tem uma tradição no basquete, e o Sport sempre apoiou outras modalidades. Surgiu esta iniciativa, de desenvolver a base primeiro, para depois ser a base do adulto no futuro, este é o caminho”, comenta Ricardo Oliveira, treinador do Sport, que sediará a próxima etapa da LDB com o times do Subgrupo 1.
O arquirrival Náutico também está na disputa da principal competição de base do País, e apesar de não ter conquistado nenhuma vitória até agora, demonstra entusiasmo com o projeto. “Temos um trabalho de base há muitos anos. Mas a nossa entrada na LDB foi, digamos, de surpresa. Vencemos a competição da Liga Nordeste, por isso entramos na LDB. A nossa equipe é amadora, não temos atletas profissionais. A ideia é fazer um trabalho para os próximos anos”, relata Mônica dos Anjos, treinadora do Náutico – a única mulher em clubes que participam de competições da Liga Nacional.
O Vitória é o representante baiano nesta LDB, e tem o comando do paulista Abdala Salomão. “Entramos este ano no basquete. Tivemos a vaga garantida pela Liga Nordeste, e mesclamos alguns jogadores de Salvador com outros de fora, aqui de São Paulo. Temos a intenção de, futuramente, disputar a Divisão de Acesso e ter um projeto feminino”, detalha Salomão. Dois bauruenses integram o elenco do Vitória: o armador Ivo Neto e o pivô Willian. (TN)