Tribuna do Leitor

Vereadores cassados - questão de Interpretação


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Gostaria refletir sobre duas cartas desta coluna, neste último domingo: "Diocese de Bauru" e "Quem cala, consente?". A primeira insinua que a Igreja Católica reclama o direito de defesa, "o mesmo que não foi dado ao Pe. Beto". Pelo que consta, o bispo, por longo tempo, vinha conversando e "após todos os recursos terem sido esgotados...", restou a excomunhão. Vimos o Pe. Beto dizer "se a Igreja mudar, eu volto". Me lembro, o Pe. era simpático ao Informativo. Em 2008, aos então pré-candidatos proferiu uma palestra sobre ética. Agora é contra. Quer outra? No Congresso fomos rotulados de "burros" na não cassação do deputado Natan Donadon, condenado que cumpre 13 anos de prisão na Papuda (peculato/formação de quadrilha). Sua família continua morando num apto. funcional e mantida com todas as regalias pela união. E em Bauru? Por uma interpretação a mim incompreensível, 3 vereadores e 2 suplentes são cassados. É histórico.

Já pensaram no reflexo? A lei 9504-97 cita outras pessoas jurídicas vedadas; entidade de classe, sindical, de utilidade pública, beneficente, esportiva, ou seja, nenhum destes pode referendar candidatos com os mesmos valores e princípios como possibilidades de voto entre tantos (em Bauru eram mais de 250). Na próxima eleição teremos uma guerra, o que vai ter de candidato denunciando o apoio "ilegal". O fato em si é uma desgraça, um desrespeito ao direito de expressão e a democracia. Apenas um deles teve mais de 6.000 votos e simplesmente a vontade dos eleitores é jogada no lixo. É gente que tem história na política de Bauru, sérios, merecedores de admiração, que o digam as urnas. No processo chama a atenção que eram 20 os candidatos do informativo e apenas os eleitos ou com chances assumirem é que foram inquiridos, cassados.

Os outros 15 tiveram suas contas aprovadas. Cuidado, amigos, entidades, associações etc. Se reinicia o processo de amordaçamento; hoje católicos, em breve todos os outros que apostam na representatividade. Em 2008, 4 se elegeram no mesmo processo, nenhum foi inquirido, mudou a lei, mudou a interpretação?

Por último, é de abismar: não vi os partidos e coligações se manifestarem. Por quê? Os seus "filhos" não lhes são mais caros, temem, é melhor os suplentes? Primeiro lutam como titãs para elegê-los e agora se calam. Eu sei, uma coisa é o Congresso, outra o TRE e outra minha opinião. Questões de Interpretação.

Paulo Roberto Franco

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