Tribuna do Leitor

Pobre (rica) Ferroviária. Pobre (pobre) Noroeste


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Sou um sãopaulino, acima de tudo Noroestino, há 30 anos fora de Bauru, leitor assíduo desse jornal, carregando uma grande dor no que se refere a esses dois clubes acima citados.

Primeiramente, como noroestino doente, apesar da distância, venho a constatar que o Noroeste está fadado ao fracasso, pois são constantes as notícias de que o Noroeste perdeu ou que não se classificou. Um clube pobre assim, com dois ou três patrocínios, que são os únicos que ainda teimam em querer investir nessa equipe e que, como outros, como XV de Piracicaba, Comercial de Rib. Preto, Marília, São Bento e outras equipes de cidades consideradas grandes do interior paulista, hoje estão se matando na Série A2, em troca do que já acontece com o Noroeste de que nada mais é do que ficar 1 ou 2 anos na Série A1 e depois descambar, como é o caso do Marília (disputou a Série B do Brasileirão, quase subiu para a Série A e hoje está na Série C, despencando no Campeonato Paulista para a Série A3).

Com referência à "Ferrinha" e ao "Norusca", a coisa não é diferente. Entra ano e sai ano, é aquela briga, ou para se classificar ou para não cair de série. Existe uma grande diferença entre os dois times, ou seja, o Norusca é como se fosse uma menina pobre, que não tem dinheiro para manter o seu status, mas que com seu carisma consegue sempre uma ajudinha aqui ou acolá para tentar se manter na sociedade. Só que o pai (Damião Garcia) não conseguiu mais sustentá-la sozinha e ficou de chapéu na mão, sozinho, sem mais empresas para poder auxiliá-lo, além dos mais abastados, tentando remediar uma situação que já é conhecida de todos, ou seja, as dívidas. Bauru, apesar de ser uma cidade pobre, tem uma meia dúzia de abnegados que se prontificam em dar uma ajudinha mesmo que pequena para que essa menina continue debutando na elite do futebol. A diferença entre Bauru e Araraquara é de que o povo bauruense é mais afável, mais amigável, mais hospitaleiro, sendo assim, quem vem a Bauru, mesmo que a passeio ou a trabalho, encontra uma receptividade maior, levando de volta para sua cidade uma boa impressão do povo da melhor maneira possível.

Em compensação, Araraquara, uma cidade riquíssima, com patrocinadores do mais alto nível (Cutrale - a maior exportadora de sucos do mundo, Nestlé - fábrica de leite condensado em expansão, Lupo - uma das maiores fabricantes de meias e cuecas do mundo, Heineken - fábrica de cervejas, Iesa - fábrica de pontes rolantes e trens de metrô, Nigro - fabricantes da panela de pressão Eterna, Sachs - fábrica de embreagens, Embraer - fábrica de aviões, Rocatti - fábrica de pistões e uma infinidade de médias indútrias que gravitam enriquecendo a cidade). Esses patrocinadores investiram na Ferrinha, mas mesmo assim esse time não passa da fase classificatória dos campeonatos que disputa porque quem mora aqui que é de fora torce contra o time da cidade, pois não suportam a arrogância dos antigos habitantes, os quais trans parecem que são donos da cidade levando quem é de fora a formar os araraquarenses e araraquaranos. O estádio da Ferrinha foi reformado, com uma injeção de 30 milhões de reais, graças à ligação do prefeito anterior (Edinho do PT), o qual foi considerado o melhor prefeito de todos tempos, mesmo que contra a vontade dos araraquaranos. Hoje a Ferrinha tem uma dos mais belos estádios do Brasil (um estádio para 25 mil pessoas sentadas, totalmente coberto). Tudo isso não adianta pois os araraquarenses, que na maioria são de fora, torcem, na verdade, contra o próprio time da cidade).

Sendo assim, não consigo entender essas disparidades, pois o que o Norusca tem, a Ferrinha não tem (abnegação do povo), em compensação o que a Ferrinha tem, o Norusca não tem (dinheiro). Se eu tivesse a solução pra isso, é claro que colocaria a ideia aos dirigentes, tanto do Norusca como da Ferrinha, mas pelo jeito a única solução que vejo é o Norusca vender aquele conjunto poliesportivo, para alguém transformá-lo em um condomínio ou outro investimento qualquer e partir para outra opção, pois assim não dá. Chega de sofrimento (quando alguém se vai, no começo é doído, mas com o tempo a gente deixa apenas na lembrança).

Quanto à Ferrinha, acho que a solução é fazer que nem Presidente Prudente fez, alugue, empreste ou venda o estádio para empresas como a Red Bull ou Pão de Açúcar, que não necessitam de torcida contra e nem a favor.

No ano que vem vai acontecer o inverso do que eu pensava. Achei que a Ferrinha ia subir e o Norusca ia permanecer na A1. Pelo contrário, irei ao Arena da Fonte para assistir Noroeste x Ferroviária, mas pela Série A2. Como dói isso. Um abração aos componentes e abnegados da Torcida Sangue Rubro, e aos noroestinos de coração.


Juarez M. Gomes - Araraquara-SP

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