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Uma rodovia parada. Não é força de expressão. É assim que o trecho urbano da Marechal Rondon (SP-300) em Bauru fica em momentos críticos. A rodovia, que é usada como avenida, já apresenta congestionamento nos horários de pico. Com isso, qualquer incidente, como uma colisão ou mesmo reparos, cria um efeito dominó e amplia o problema. Especialistas cravam: no rush, a via atinge seu limite.
A Rondon liga a Capital ao Mato Grosso e é tida como um dos eixos viários mais importantes de todo o Estado. O trecho urbano está compreendido entre o quilômetro 336,5 e o 348.
De acordo com dados da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), tomando por base julho deste ano, o fluxo médio diário nesta parte da rodovia foi de 38.700 veículos. Isso significa que, a cada dois segundos, um veículo passa pelo trecho urbano da SP-300.
Essa, porém, é uma média de fluxo. Assim, a Polícia Militar Rodoviária explica que, nos momentos do rush, o tráfego é muito mais intenso.
“Os piores horários são das 7h às 9h e das 17h às 19h. O movimento da Rondon realmente é algo que nos preocupa cada dia mais”, alerta o capitão Vanderlei de Andrade Júnior, comandante da 1ª Companhia do 2º Batalhão da Polícia Rodoviária.
As estatísticas da corporação mostram que, desde 2009, foram pouco mais de mil acidentes no trecho urbano da rodovia. “A maioria são acidentes sem gravidade. Porém, é algo que atrapalha ainda mais o fluxo”.
Além do próprio obstáculo na pista, a curiosidade dos motoristas e o fato de ser preciso diminuir a velocidade pioram o problema. Cria-se, então, uma espécie de “efeito dominó”. “Nós chamamos isso de rabo de fila. Quando tem um acidente, é quase certo que vai ter outro logo atrás”, complementa o capitão.
O gerente de empresas Luis Carlos Serrano, 47 anos, passa com frequência pela rodovia. Porém, quase nunca é para viajar. “Eu a uso como se fosse uma avenida mesmo. E não sou só eu. Tanto que tem congestionamento nos horários de pico. Já presenciei muitos acidentes por aqui”, relata.
E é exatamente essa mistura entre motoristas com “objetivos diferentes” que se torna um risco ainda maior. Para o especialista em trânsito Archimedes Raia Júnior, trata-se, na verdade, de um verdadeiro conflito.
“No trecho urbano, motoristas que usam a rodovia como vias de acesso ficam lado a lado com aqueles que estão seguindo viagem. São atenções diferentes e isso é muito propício a causar acidentes. É um choque de motoristas”, aponta o especialista.
Malavolta Jr. |
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Usada por viajantes e como avenida pelos baruenses, a SP-300 tem ? cado saturada na hora do rush |
Marginais
O engenheiro aponta que o trecho urbano da Rondon realmente chegou “ao limite”. Para ele, a única solução seria a construção de marginais na rodovia. “Além de facilitar o fluxo, as marginais separariam esses dois tipos de motoristas e evitariam esse conflito”.
Conforme o JC divulgou com exclusividade em novembro do ano passado, exatamente por conta do fluxo, a Artesp estuda antecipar as obras em quatro anos, começando assim no meio do ano que vem. O valor do investimento, que irá abranger os dois sentidos da via, seria de R$ 43,4 milhões.
Ontem, por meio de nota emitida pela assessoria de comunicação, a agência informou que a previsão de antecipar as marginais ainda continua em análise.
“O novo prazo (de início e conclusão) ainda depende de detalhes técnicos, análises de estudos financeiros e jurídicos. Isso representa uma mudança no que está estipulado no contrato, por isso o prazo está indefinido, até a conclusão de todas as etapas”.
A concessionária ViaRondon foi acionada na terça-feira para comentar o problema do fluxo de veículos do trecho urbano da rodovia e apontar o que está fazendo para tentar amenizar o problema. Porém, até o fechamento desta edição, não respondeu os questionamentos da reportagem.
“Essas marginais deviam ter sido pensadas quando houve a duplicação da Rondon, na década de 90. Naquela época, não havia tantas propriedades às margens da rodovia. Hoje, terão que ser feitas muitas desapropriações e isso encarece bastante”, ressalva Archimedes Raia Júnior. “Há novas rodovias sendo duplicados e a mesma falta de planejamento está ocorrendo. É preciso se pensar nisso ou teremos problemas no futuro”, finaliza o engenheiro.
12 dispositivos
Além de antecipar as marginais, a Artesp afirma que, para os dois próximos anos, estão previstas a execução de obras de melhoria e ampliação em 12 dispositivos, como retornos, acessos, entre outros.
A Artesp afirma que a readequação desses dispositivos, localizados entre o quilômetro 336,8 e o 360,3, “também contribuirá para a maior fluidez no tráfego na rodovia e aumentará a segurança viária e dos usuários”.
‘Tudo cresceu, mas o sistema viário continua o mesmo’, critica engenheiro
Para o engenheiro Archimedes Raia Júnior, o sistema viário de Bauru parece ter parado no tempo. Enquanto isso, a frota só cresce. A conta que não fecha só poderia resultar em situações como a saturação da Marechal Rondon. “Tudo cresceu, mas o sistema viário continua o mesmo”.
Ele explica que essa estagnação ocorreu por conta da falta de planejamento na duplicação da via e poucas obras para facilitar o fluxo no interior da cidade. “Em todo o trecho urbano, há seis viadutos sobre a rodovia. É muito pouco. Por isso, as pessoas precisam trafegar na Rondon para ter acesso aos bairros”.
Em relação ao trânsito urbano de Bauru, Archimedes Raia Júnior explica que a falta de vias de acesso faz com que os motoristas escolham usar a rodovia para essa função. “Desde a década de 70, não se constroem viadutos em Bauru. Não podemos continuar com viadutos de 30 ou 40 anos atrás”, completa o especialista.

