Política

Bauru Acordou invade prédio da Secretaria Municipal de Saúde e ação gera polêmica

Renata Marconi com Thiago Vendrami e Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 6 min

Renan Casal

Manifestantes protestam dentro da Secretaria da Saúde em Bauru

O grupo Bauru Acordou invadiu a Secretaria Municipal de Saúde de Bauru nesta sexta-feira (6), por volta das 16h e deixou o local aproximadamente às 23h30, dentro de um ônibus da Polícia Militar, quando foram conduzidos à Central de Polícia Judiciária (CPJ).

O prédio da Secretaria funciona na rua José Aiello - prolongamento da avenida Duque de Caxias.

Cerca de 30 pessoas entraram no prédio gritando e ordenando que funcionários e usuários saíssem do local. Naquele momento, havia aproximadamente 60 pessoas.

Segundo os servidores, alguns manifestantes, apesar de serem conhecidos como um grupo pacífico, foram agressivos e um deles teria agredido uma mulher.

Eles estariam manifestando contra as mortes nos corredores do Pronto-Socorro Central (PSC), pela liberação de mais leitos nos hospitais e defendem outras bandeiras, como a melhoria no transporte público, a redução do aumento da tarifa, 50% de desconto no passe estudantil e melhorias nos salários dos professores com menos horas trabalhadas.

Uma mulher, Lucy (sobrenome não foi informado), teria discutido com um manifestante e gerado uma briga. Segundo os funcionários, ela teria sido agredida e precisou ser socorrida para o PSC com as costas machucadas.

Renan Casal

Funcionária discute com representante do grupo

O representante do grupo, Igor Fernandes, disse que a agressão teria partido da mulher e que haveria filmagens da discussão, mas que também não concorda com a possível agressão e que o grupo quer reivindicar melhorias para a população pacificamente.

As imagens já estão disponíveis na página do Facebook do grupo e mostram Luci exaltada por ter que deixar o prédio, inclusive, empurrando um dos manifestantes. A situação chegou ao extremo, porém, quando um dos manifestantes, identificado como Charles, revidou e partiu para a cima da mulher. No vídeo, inclusive, é possível ouvir uma voz que dizia: “Vai machucar ela” (sic).

Um munícipe que recebia atendimento na Secretaria, no momento da invasão, presenciou a cena e se comprometeu a depor em favor da servidora. Por outro lado, três membros do grupo “Bauru Acordou” registrariam boletins de ocorrência, acusando a mesma funcionária por agressão. Apesar disso, durante a noite, em conversa com o Fernando Monti, Igor Fernandes reconheceu que houve falhas no modo com que aconteceu a ocupação.

Uma mulher que está grávida também precisou ser socorrida por ter ficado nervosa com a manifestação.

O secretário da Saúde, Fernando Monti, foi até o local, mas disse que não tentaria entrar no prédio, pois era um caso para os policiais. Já no período da noite, acompanhou a PM para tomar ciência dos danos ao patrimônio público.

Também acrescentou que os manifestantes não se colocaram à disposição para dialogar. Segundo os PMs, eles não estariam dispostos a dialogar ainda.

Fernando Monti concordou que há uma situação complexa de falta de leitos, mas que a secretaria não pode fazer nada referente a esse pedido, já que o município não tem hospitais.

“Temos uma situação complexa no ponto de vista de leitos, mas nesta semana a situação está mais calma no ponto de vista das internações hospitalares. A Secretaria Municipal de Saúde não pode fazer nada. A reivindicação está sendo feita no lugar errado, já que o município não tem hospitais.”, concluiu.  


A ocupação

“Sai que foi invadido”. Essa era a palavra de ordem que os manifestantes gritavam quando entraram no prédio da secretaria, contou Kleber Felipe, diretor da Divisão de Transportes.

Segundo Kleber, até o momento em que ele saiu do local nada havia sido quebrado nem acontecido alguma agressão, mas os manifestantes teriam agido de forma truculenta.

Funcionários relatam que usuários do sistema de saúde estavam no local sendo atendidos e também teriam sido maltratados e colocados para fora. Um grupo de servidores registrou boletim de ocorrência por perturbação do trabalho. Monti defendeu que os ocupantes, ao saírem, fossem identificados e respondessem por seus atos.

Revolta

Por volta das 19h40, duas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegaram ao local para atender membros do grupo que estariam passando mal. As equipes, porém, foram impedidas de adentrar ao prédio e Igor Fernandes precisou assinar termo de “responsabilidade” por não utilizar o socorro.

O episódio aumentou ainda mais a revolta dos servidores que bateram boca com manifestantes que estavam do lado de fora da Secretaria.

“Tem gente precisando de atendimento na cidade e eu desloquei duas viaturas para cá, uma básica e outra avançada. Jamais negaríamos socorro a alguém, mesmo que faça parte da invasão. Mas é preciso ter o mínimo de responsabilidade”, desabafou Fernando Monti. As ambulâncias deixaram a rua José Aiello por volta de 15 minutos depois da chegada.

Renan Casal

Funcionários expulsos da secretaria aguardam em frente ao prédio

Prejuízos

Renan Casal

Secretário da Saúde Fernando Monti fala aos representantes do movimento Bauru Acordou sobre possíveis consequências da invasão

As consultas, viagens e cirurgias que seriam agendadas até as 19h não poderão ser feitas e este é o maior prejuízo para a população, segundo o diretor administrativo da secretaria, Edson Luis da Silva.

“Os pacientes que tinham viagens marcadas para segunda-feira perderão a viagem, já que o dinheiro e as requisições estão no prédio - e deveriam ser feitas hoje. As consultas terão que ser remarcadas para quando puder”, criticou Edson.


Adolescentes envolvidos

De acordo com o comandante do 4º BPMI, tenente-coronel Walter Oliveira, três adolescentes estariam envolvidos entre os transportados para a CPJ.

Por volta da meia-noite, uma conselheira tutelar, de nome Bianca, esteve no Plantão Policial para tomar ciência dos fatos e acompanhar o caso.


Documentos sigilosos e remédios de alto custo

Uma das preocupações de Oliveira era que no local havia documentos sigilosos, licitações e remédios de alto custo. Até a desocupação, não havia informações se houve algum prejuízo a estes ítens.


Todos deverão ser ouvidos e liberados

Por não constar crime inafiançável  dentre a lista do que os envolvidos podem responder, todos deverão ser ouvidos e liberados até a manhã deste sábado (7).

Por envolver menores, os organizadores do 'Bauru Acordou' poderão responder por corrupção de menores e  colocá-los em risco.


Mãe se revolta

A mãe de um dos que estavam sendo qualificados no interior do ônibus se revoltou contra Igor Fernandes, dizendo que eles 'agitam' enquanto outros, como o filho dela, estavam sendo fichados. "Vocês agitam e ficam aqui fora acompanhando. E os outros que estão lá (no ônibus) sendo qualificados? Você também será?", esbravejava.


Leitos sucateados

De acordo com um dos porta-vozes do grupo, o movimento tem imagens de 3 alas do Hospital de Base (HB), que contaria com aproximadamente 60 leitos sendo sucateados.

Além disso, 50 leitos estariam prontos no Hospital Estadual de Bauru (HEB), o que justificaria uma revolta contra o poder público municipal de tentar encaminhar pacientes da espera ao setor privado, já que alguém lucraria por algo que é de competência do governo.

Para o porta-voz, a Famesp seria co-responsável por não querer contratar mais profissionais,


Passe estudantil

A 'ocupação pacífica' teria também a reivindicação de 50% de desconto para passe estudantil, independente a idade do estudante, que teria sido prometido por Rodrigo Agostinho para o mês de agosto.

Mas, para o grupo, isso deveria ser desconto e não contrapartida da Prefeitura, pois deste modo empresários iriam continuar lucrando às custas dos estudantes, o que o 'Acorda Bauru' não aprova. Esta proposta teria sido feita após a garantia do prefeito.

 

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