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'O Brasil quer líderes melhores?, diz autor de "O Monge e o Executivo"

Folhapress
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A um auditório cheio na Bienal do Livro Rio, neste sábado (7), o americano James Hunter, o autor do best-seller "O Monge e o Executivo" (Sextante), disse ter a sensação de que o Brasil "está procurando por melhores líderes, melhores chefes, melhores políticos" e que "é tempo de mudar".

"Eu me preocupo com a liderança no Brasil, assim como no meu país, no mundo inteiro, no Egito, na Síria, na Líbia", disse ele ao se apresentar, após pedir desculpas por saber falar apenas inglês ("Quem fala duas línguas é bilíngue, quem fala uma só é americano. Desculpem. É uma arrogância dos EUA, algo que acho que estamos superando").

Reprodução Internet

Hunter - Autor de um dos livros mais lidos das últimas décadas aponta que Brasil precisa mudar

Desde 1998, quando saiu nos Estados Unidos, "O Monge e o Executivo" (que por lá recebeu o nome the "The Servant") vendeu 4 milhões de cópias.

Desse total, 3 milhões, ou seja, 75%, foram comercializados no Brasil, onde foi lançado em 2004 e está há mais de 400 semanas na lista de mais vendidos de autoajuda e negócios.

Questionado pelo público sobre o sucesso por aqui, destacou a espiritualidade dos brasileiros como responsável pelo interesse na história de um monge líder, mas também o fato de "o povo brasileiro querer uma liderança melhor". Referiu-se tanto a lideranças na iniciativa privada quanto na pública.

"Sempre digo nas minhas palestras: o povo brasileiro espera mais de vocês, é preciso aprender a ouvi-lo", argumentou.

Mas o escritor defendeu, ao longo de todo o debate, em tom motivacional, que menos importante que se preocupar com "Obama, Lula ou Dilma" é cada um aprender a se preocupar consigo mesmo.

"Gandhi dizia que você tem que se tornar a mudança que quer no mundo. Não se preocupe com os outros, se preocupe com você. Tem sido bom vizinho, bom marido, bom pai, bom filho? Todos queremos mudar o chefe, o presidente, mas, se mudarmos a nós mesmos, vamos viver num mundo melhor."

Hunter argumentou também que, nos EUA, as lideranças em empresas já vêm há tempos passando por uma transformação que torna cada vez mais incomum encontrar "chefes ruins gritando com a equipe".

"Se você é um chefe assim, não sobrevive nos Estados Unidos. Em outras partes do mundo isso está mudando mais lentamente; no Brasil, pelo que entendo, está apenas começando", disse.

O modelo que Hunter diz ser o preponderante hoje em seu país é aquele que defende no livro, algo que chama de "liderança servil", de líderes que sabem escutar suas equipes.

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