Política

Bauru Acordou fecha Duque de Caxias

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Em novo protesto, cerca de 30 integrantes do grupo Bauru Acordou pararam a avenida Duque de Caxias, no cruzamento com a rua Rio Branco, na tarde de ontem. Por cerca de dez minutos, os manifestantes ficaram sentados no asfalto, obstruindo a passagem de veículos para reivindicar melhorias na saúde, especialmente a ampliação da oferta de leitos de internação.

Acompanhado por policiais militares e empunhando bandeiras do Brasil, o grupo partiu da Praça Rui Barbosa por volta das 17h, em passeata que seguiu em direção à sede da prefeitura, na Praça das Cerejeiras. Na área externa do Paço, houve princípio de tumulto e empurra-empurra entre seguranças e manifestantes.

O grupo chegou a cogitar a possibilidade de permanecer acampado em frente à prefeitura até amanhã de manhã, para tentar ocupar o prédio quando o expediente fosse retomado, mas os integrantes desistiram da ideia e deixaram o local por volta das 20h. Na noite de anteontem, o grupo já havia ocupado a sede da Secretaria Municipal de Saúde, também em clima de tensão e acusações mútuas de agressão física.

Ontem, para marcar o Dia da Independência do Brasil, os manifestantes fizeram passeata e bloquearam o cruzamento da avenida Duque de Caxias com a rua Rio Branco. O trânsito era tranquilo quando o protesto aconteceu, por volta das 17h15.

Mesmo assim, alguns motoristas e pessoas que aguardavam a chegada de ônibus coletivos demonstraram irritação. “Estou desde as 7h da manhã trabalhando e quero ir para minha casa, mas o ônibus não consegue descer por causa deles”, reclamou uma moradora de Agudos, que preferiu não se identificar.

Um manifestante questionou o motivo de a mulher ter saído do ponto de ônibus para reclamar do protesto e ela, exaltada, reagiu com xingamentos. Em seguida, um motorista tentou furar o bloqueio, dizendo que estava acompanhando um veículo à frente, onde estava sua neta. A passagem só foi autorizada depois de ele dizer o nome da criança a um dos membros do grupo.


Tumulto

Na chegada ao Palácio das Cerejeiras, alguns integrantes subiram na marquise que fica na entrada do prédio para afixar cartazes que faziam menção às 581 pessoas que morreram no Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru, entre 2009 e 2013, à espera de uma vaga de internação em unidades hospitalares da cidade. A denúncia sobre as mortes, que é alvo de investigação da Polícia Civil e ministérios públicos Federal e Estadual, foi divulgada com exclusividade pelo JC.

Quando os manifestantes ainda decidiam sobre os rumos do protesto, a chegada de um funcionário da prefeitura em uma motocicleta causou alvoroço. Com medo de abrir a porta e ter o prédio invadido, ele tentou entrar por um acesso nos fundos, mas foi seguido por alguns integrantes do grupo.

Policiais militares seguiram na mesma direção e foram acompanhados pelos demais manifestantes. Atrás do prédio, um tumulto havia se formado. Um adolescente de 17 anos afirmou que foi empurrado e ameaçado por um dos seguranças da prefeitura.

“Ele disse que a manifestação era na frente da prefeitura e que, se eu não saísse dali, ele poderia me agredir”, relatou. O funcionário, que tirou o crachá e não quis se identificar, disse que tentou apenas obstruir a passagem do jovem, para que o funcionário que estava na moto pudesse ingressar no prédio e iniciar seu turno de trabalho.

“O garoto estava correndo atrás do funcionário e tentei explicar que ele não poderia fazer aquilo. Mas não agredi ninguém”, defendeu-se. O adolescente afirmou que iria avaliar a possibilidade de registrar boletim de ocorrência por agressão.


Equipe de reportagem é hostilizada

A equipe do Jornal da Cidade também foi hostilizada por alguns integrantes do grupo Bauru Acordou com palavras ofensivas à repórter e ameaças de agressão ao repórter fotográfico. O tom agressivo seria motivado pela reportagem publicada na edição de ontem do JC sobre a ocupação da sede da Secretaria Municipal de Saúde.

A matéria descrevia que membros do Bauru Acordou teriam admitido a policiais que erraram o alvo do protesto. Incialmente, a intenção seria invadir a sede do Departamento Regional de Saúde (DRS-6), responsável por gerir os recursos federais que são repassados para a manutenção da assistência hospitalar em Bauru.

A informação é corroborada por uma imagem publicada no Facebook, que convidava a população a ocupar o DRS-6, com a foto e endereço do prédio da Secretaria Municipal de Saúde. Questionado pelo vereador Raul Gonçalves Paula (PV) sobre o possível erro, Igor Fernandes, um dos organizadores do protesto, respondeu, diante da reportagem, que sabia que o local era uma “Unidade de Pronto Atendimento (UPA)”.

No protesto realizado ontem, Igor afirmou que, momentaneamente, o grupo não falaria com a equipe do JC. No megafone, no entanto, ele voltou a negar o equívoco.

“Nossas pautas são municipais e, por isso, temos de cobrar o prefeito e o secretário municipal de Saúde. Nossas pautas não são estaduais. A gente acertou o lugar. Só começando com o município é que conseguiremos mudar o estado de calamidade pública em que se encontra a cidade de Bauru”, disse. 

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