O comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Walter Oliveira, acredita que características particulares fazem com que municípios de pequeno porte se tornem ‘ilhas’ de tranquilidade e mantenham os índices criminais o mais baixo possível.
“Embora os índices não sejam zerados, são muito pequenos por conta de características particulares. A educação das famílias mais simples é um dos itens. A proximidade das pessoas é muito grande, todo mundo se conhece. Além de ser uma população voltada à agricultura. Geralmente, o trabalho em pequenas propriedades agrícolas agrega toda a família”, observa.
A ausência de casas noturnas é outro fator que inibe a criminalidade, na avaliação do tenente-coronel. “A população de pequenos municípios tem costumes diferentes, são mais próximos da família. As cidades oferecem poucos atrativos noturnos e os policiais conhecem a população e vice e versa.”
A retidão de conduta, na opinião do comandante, vem da religião. “Os valores espirituais são muito importantes para a população mais simples. Numa sociedade como estas, os valores espirituais estão acima dos legais. As pessoas se mantêm numa retidão de conduta que não permite desvios para a criminalidade.”
Para ele, não importa qual a crença, a religião ainda é um “freio”. “A crença em Deus e seus mandamentos ajuda muito a manter as pessoas equilibradas em momentos difíceis, de tensão. Com certeza a prática de atos extremos, como atentar contra a vida, é atenuado.”
Honra
Outro sinal de que a população dessas cidades vive de maneira simples e preservando seus valores, segundo o comandante, é o registro de ocorrências de crimes contra a honra. “Eles registram ainda este tipo de crime porque consideram um afronto.”
O tenente-coronel Walter Oliveira diz que não sabe exatamente quais os tipos de crimes contra a honra são registrados, mas arrisca. “A honra é algo significativo para eles, tanto que eles se rebelam e registram os fatos quando se sentem afrontados. Eles querem providências da polícia.”
Oliveira observa que em cidades de médio e grande portes, crimes contra a honra fazem parte do passado. “Em cidades maiores, pela grande quantidade de pessoas que habitam no mesmo espaço, as atribulações do dia a dia acabam dissipando essas ofensas. Os moradores estão focados em coisas mais graves. As coisas mais simples acabam perdendo o sentido para a população de municípios maiores. Pequenas coisas ainda têm muita importância para a população mais simples.”
O comandante avalia que, mesmo as cidades sendo de menor porte, longe de grandes centros e das unidades prisionais, não há garantias de criminalidade baixa. “É complicado dizer que a proximidade com penitenciárias influencia nos índices de criminalidade. Existem muitas na região. Essas unidades podem acomodar presos que são oriundos desses pequenos municípios e, numa eventual ‘saidinha’, podem retornar e praticar crimes. Portanto, esse não é fator que define a baixa criminalidade. Para afirmar isso, precisaríamos fazer um estudo mais aprofundado”, afirma o tenente-coronel.