Ser

Um por todos e todos por um

Por Bruno Freitas | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

â?«Família! Família! Papai, mamãe, titia... almoça junto todo dia. Nunca perde essa mania... â?« Assim como diz a música de Arnaldo Antunes, a família Silva é aquela tipicamente brasileira, ou melhor, de uma ?Bauru caipira?, que se senta à mesa para almoçar e assistir TV.

No tempo acelerado em que vivemos atualmente, principalmente na era da tecnologia e da "comida rápida", ainda encontramos situações que fogem dos padrões impostos pela sociedade. Como explicar que uma família tão grande, com 10 irmãos, realiza a façanha de estar mais próxima e, talvez, até mais unida do que famílias com apenas um ou dois filhos?

Para a família Silva, reunir todos para tirar uma foto, por exemplo, acaba se tornando um desafio. Afinal, além da matriarca Fátima, 49 anos, e de José Tarcísio, 51 anos, são 10 filhos, dois genros, uma nora e oito netos - um deles ainda nem nasceu, mas já é aguardado com ansiedade por todos.

Muitas palavras podem definir essa família, mas o conceito que mais se encaixa é mesmo o da união. "Adoro ver a casa cheia e todos se reunindo para os almoços de domingo", conta Fátima.

De acordo com o filho Robson, 28 anos, que hoje é casado com a jornalista Regiane Marques, a mãe é, sobretudo, sinônimo de trabalho e amor aos filhos. "Ela trabalha desde a adolescência e sempre foi muito atenciosa com cada um de nós", frisa.

Além de Robson, Rafaela, de 29 anos, e Roger, 34, são filhos do primeiro casamento de Fátima com Antônio, que faleceu em 2008.


A fila do banho

Os "irmãos Silva" mais jovens, como Lucas, 16, Yan, 11, Emily, 8, Guilherme, 17, Antony, 9, Verônica Carolina, 20, e Vitor, 19, sempre encararam juntos a fila do chuveiro. "Tomar banho em uma casa com 12 pessoas e apenas um chuveiro era uma missão quase impossível, mas que sempre encaramos com muita descontração", revela Robson.

E na hora de dormir? Segundo Fátima, eram dois quartos com cinco beliches cada um para a "criançada" dormir.

E para assistir televisão? Bem-humorado, Robson destaca que, apesar de haver três TVs na casa, quem mandava mesmo no controle remoto eram sempre os mais velhos. "Os mais novos podiam assistir os desenhos, claro, pelo menos até começarem os jogos de futebol e os filmes", lembra.

Para a psicóloga Silvana Nunes Garcia Bormio, doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, que segue os conceitos da psicanálise, o grau de intimidade ou de sucesso das relações fraternas não é vinculado ao fator econômico. O que pode explicar o fato de que filhos de famílias mais simples, por exemplo, sejam mais unidos, talvez seja o fato de que o ser humano tem os olhos muito voltados para os fatores de compensação. "Já vi muitas famílias bem humildes onde os conflitos e rivalidades eram muitos", frisa.

Em contrapartida, o diálogo entre um casal de irmãos, que se dividem para cuidar da casa, nem sempre é tão fácil e, apesar de morarem juntos, pouco se veem. É o caso de Ana Carolina Teófilo Gonçalves, 26 anos, e Rogério Teófilo Gonçalves, 24, cuja história você vai conhecer na página 3. Morando juntos, os irmãos tentam superar desentendimentos surgidos após a perda de seus pais.

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