Morreu, aos 86 anos, o cartorário Venício Tavares, vítima de complicações decorrentes de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido há seis anos. Internado desde o último dia 2 no Hospital Beneficência Portuguesa por conta de uma pneumonia, ele faleceu às 21h de anteontem, após sofrer parada cardiorrespiratória.
Venício ficou conhecido como um dos mais importantes cartorários de Bauru. Velocista durante a juventude, também trouxe títulos estaduais e brasileiros para a cidade nas décadas de 1950 e 1960. Atuou ainda como escrivão no Fórum de Bauru e trabalhou nos ramos de agricultura – no plantio de pinus – e pecuária.
Nascido em Três Lagoas (MS), Venício veio para Bauru ainda jovem. Formou-se em direito pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), quando começou a competir como velocista de 100 e 200 metros rasos, além de participar, em equipe, de corridas de revezamento 4x100.
“Ele era atleta universitário. Correu pela cidade e pelo Esporte Clube Noroeste. Depois, já mais velho, ainda corria em competições como veterano”, pontua o amigo Osvaldo Sbeghen, ex-prefeito de Bauru. Também gostava de jogar tênis e chegou a criar, em seu sítio, uma escola para ministrar aulas do esporte a aposentados.
“Ele foi um grande incentivador do esporte e da arte. Quando acreditava no potencial de uma pessoa, doava materiais e equipamentos para ela poder desenvolver seu talento. De várias maneiras, ele dedicou sua vida a Bauru”, relembra o filho caçula, Eduardo Tavares, 57 anos.
Venício também demonstrou sua benemerência quando, já doente, não conseguia mais cuidar de suas plantas ornamentais, outra grande paixão. Seu acervo, que incluía antúrios, bromélias e orquídeas, foi doado ao Jardim Botânico.
“Ele tinha muitas plantas, até mesmo um laboratório para desenvolver mudas. Tudo foi doado depois do AVC. Ele não conseguiu mais andar e, ao longo dos anos, suas funções neurológicas também foram se deteriorando”, observa Eduardo.
‘Grande homem’
Segundo amigos, Venício foi um dos primeiros a introduzir a orquidofilia em Bauru e viajou para vários países para pesquisar e trazer espécies exóticas. Em seu sítio, chegou a cultivar mais de 5 mil antúrios.
Mas a profissão que ele seguiu durante 52 anos foi a de cartorário. Ainda funcionário do 1º Cartório de Registro Civil de Bauru, se apaixonou pela filha do proprietário, Vera Telles Nunes, que viria a se tornar sua esposa e mãe de seus filhos.
Depois de assumir o negócio da família, chegou a gerenciar um cartório em São Paulo a poucos anos de se aposentar, mas continuou morando em Bauru. Em janeiro de 2007, sofreu um AVC que lhe deixou sequelas irreversíveis.
Para o amigo Gilberto Nunes da Cunha, a perda de Venício é irreparável. “Mas, ao mesmo tempo, sabemos que foi um alívio, porque ele estava sofrendo muito. Foi um grande homem que, agora, merece descansar”, pondera.
O corpo de Venício foi velado no Centro Velatório Terra Branca e sepultado ontem, às 16h, no Cemitério da Saudade. Viúvo, ele deixa os filhos Vera Helena, Maria Regina e Eduardo, cinco netos e dois bisnetos.